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Titulo: EXPOSIÇÃO DE FOTOS - "FRAGIL" - De Angela Waltrick
Data: 01/07/2012 à 31/07/2012
Horário: 13:00 às 19:00

Descrição: POR QUE FRÁGIL

Ao analisar profundamente a temática: a face oculta de um acéfalo, podemos raciocinar a partir da ideia de que um acéfalo é alguém que não tem cabeça e automaticamente não tem cérebro, por isso não possui a capacidade de pensar. Portanto, está morto. Ou está em algum estado de morte. Porém, pode ser um ser mitológico, fantástico, fantasmagórico ou irreal, fruto de uma alegoria.
Tudo o que é oculto, é secreto, escondido, estranho e por si só causa espanto, dúvida, questionamento.
O paradoxo está em confrontar: a diferença entre um acéfalo, com um ser humano que aparentemente normal, tem cérebro e por conseqüência, pensa.
O grande problema está justamente aí: no exercício do pensamento. Até que ponto as pessoas agem sem se deixar levar pelas influências ideológicas da sociedade contemporânea? Até que ponto, quem tem vida, vive? Ou melhor, sobrevive de acordo com as suas escolhas e os seus interesses. Até que ponto, quem tem cérebro, pensa?
Por outro lado, a situação de quem fecha os olhos e deixa a vida lhe levar... Os problemas sociais que são desencadeados, são tão grandes que não somos capazes de mensurar a sua gravidade.
Pensar, acaba sendo um ato incondicional. É mais fácil esperar que os outros pensem e entrar na onda...
A massificação torna o individuo impotente e alienante, incapaz de refletir suas próprias atitudes e se conformar com tudo. Compra o que não pode, para satisfazer o seu ego e expressar para todos que está satisfeito, mesmo tendo que se sacrificar por isso ou até mesmo padecer diante disso.
A fragilidade do ser humano está em deixar-se levar pelo consumismo desenfreado, sem medir conseqüências das suas escolhas. Neste aspecto podemos até refletir sobre o futuro do planeta.

A palavra “ Frágil” também está se referindo ao mercado de ideias: “ A mulher como frágil.” É o que muitos dizem, porém hoje a mulher ocupa o mesmo espaço do homem na sociedade. Encontramos mulheres trabalhando nos mais diversos setores das indústrias até mesmo na Metalurgia. Vemos mulheres em destaque na Política, na Educação e encontramos ainda outras que buscam na reciclagem a sua sobrevivência e de sua família. São mulheres guerreiras. Segundo um depoimento, uma mãe de família, sem lugar para morar, juntou os materiais de construção e foi capaz de erguer as paredes da sua própria casa, sozinha, sem ajuda de ninguém, para dar um teto a seus filhos. Isso há tempos atrás era considerado serviço de homem.
Quando nos referimos a um objeto, dizemos que este é “Frágil”, o tornamos vulnerável e o elegemos como algo que deve ser cuidado.
Nas lojas, os objetos frágeis, são acompanhados da famosa frase “ quebrou, pagou”.
As transportadoras precisam tomar cuidado ao fazer uma mudança para não danificar os objetos que estão na sua responsabilidade.
No aeroporto, bagagens recebem uma etiqueta “frágil” para depois seguirem viagem.
Voltando a análise da obra em si, podemos comparar um objeto como se fosse um corpo, que ocupa lugar no espaço. A diferença está no revestimento de símbolos que tornam o corpo sagrado, ritualmente sacramentado, onde o ilustre e o desconhecido passarão a ocupar o mesmo espaço: vieram da terra e serão consumidos por ela da mesma forma.
No mundo real, não vemos seres humanos expostos nas prateleiras, para serem vendidos. Mas no mundo do trabalho encontramos jogadores de futebol que são negociados pelos clubes, por jogarem bem. Porque se não jogar bem, ninguém contrata. As modelos, são contratadas por valores altíssimos. O preço: uma vida de privações para manter a forma do corpo desejado. Nas ruas, prostitutas, garotas e garotos de programa fazem parte do mercado do corpo ...
A partir do momento em que as pessoas encontram na rua alguém plastificado, com um rótulo: “FRÁGIL”, passam a se perguntar: Por que FRÁGIL? O oculto está na mente das pessoas que passam, olham, e nada dizem ou mesmo daquelas que ousam dizer alguma coisa sem pensar.
Ângela Waltrick


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