Fotos Realeza: Sabrina Rodrigues/Divulgação / Fotos Realeza Mirim: Fábio Pavan Você vai passar pelas Realezas bem de pertinho e vai entender do que estamos falando, viu?!
Estética, pertencimento, continuidade e memória coletiva.
Denominadas como Guerreiras do Tempo, rainha e princesas da Realeza da 36ª Festa Nacional do Pinhão levam consigo a rica potência de Lages e da Serra Catarinense. A rainha Maria Júlia Branco da Silveira e as princesas Maria Luísa Furtado Boeno e Emilie da Silva Pereira.
Tradicional e historicamente responsável pelos vestidos da Realeza da Festa do Pinhão, a estilista de La Unica Ateliê, a fashionista Ana Lopes, em 2026 atingiu o ápice da criatividade ao dar voz a anseios bem particulares e se desafiar em uma aventura extravagante e inimaginável pelo senso comum. Obviamente, apoiada por sua mãe, a estilista dona Bere [Berenice Lopes Omizzolo].
Depois de todos estes anos, com vestidos produzidos para 19 edições no total até hoje, o desejo de ousar mais e mais. Existia um sonho que ainda não havia sido realizado: Criar um vestido inteiramente em crochê. “Este era um projeto de dona Bere. Anos depois, Ana transforma este sonho em realidade, não apenas repetindo o que aprendeu, mas, continuando a história, porque tradição não é copiar o passado, é permitir que continue vivo. E talvez seja justamente por isto que esta coleção fale tanto sobre o tempo. O tempo da mulher serrana. O tempo da natureza. O tempo da arte feita sem pressa. Cada detalhe carrega memória, processo e presença. E quanto mais se observa, mais histórias irão aparecer, porque as Guerreiras do Tempo não foram criadas apenas para serem vistas, foram criadas para serem sentidas”, descrevem as estilistas.
Encanto imensurável. “Nós estamos infinitamente impressionadas com tamanho talento, capricho e perfeição. Estamos prontas!”, anima-se a rainha Maria Júlia, em nome do trio de Realeza.
A Gralha Azul, a Rainha da Serra
No vestido da rainha Maria Júlia percebe-se como sua estrutura se aproxima de uma armadura. Os ombros mais volumosos propõem imponência, força e presença, porém, existe um detalhe ainda mais simbólico: A capa faz referência ao manto da Gralha Azul, como se a própria Guardiã da Araucária estivesse protegendo a rainha. Nesta narrativa, a Gralha Azul ocupa um espaço de extrema magnitude. É ela quem coleta o pinhão, quem enterra, quem espalha vida, quem ajuda a preservar o bioma brasileiro. No vestido, ela também protege a memória.
Existe um ninho construído com madeira real no vestido da rainha. Não está ali apenas como elemento visual, representa a primavera. As estações da gralha também vivem nestes vestidos. Na primavera, ela constrói seu ninho, no outono, coleta e enterra o pinhão; no inverno, desenterra aquilo que guardou e, no verão, caminha em grupos.
O primor da Gralha Azul também nos trajes que elevam as Princesas
Quanto aos vestidos das princesas, os ombros mais retos, os punhos inspirados nas plumagens da Gralha Azul. O corselet mais afastado do corpo, também remetendo às armaduras. Existe delicadeza, mas, existe força, pois, estas mulheres não representam apenas beleza, representam permanência, e quanto mais se olha, mais histórias aparecem.
As árvores presentes nos vestidos foram feitas em crochê pela própria Ana Lopes, mesmo sem dominar anteriormente a técnica. As gralhas foram modeladas em biscuit e pintadas manualmente, uma a uma.
Nada aconteceu de primeira. Foram cinco testes diferentes de gralhas, três versões de pinheiros, flores refeitas, processos repetidos inúmeras vezes. “Porque a artista entende que a arte verdadeira não nasce pronta, nasce da insistência”. Maria Luísa e Emilie estão resplandecentes.
Cascas de pinhão viram tinta verdadeiramente regional
O crochê também passou por um processo completamente artesanal de tingimento. As fibras foram tingidas manualmente com cascas de pinhão e pedaços de araucária recolhidos do chão. Nada surgiu ou apareceu pronto.
A cor nasceu da observação. Ana percebeu a intensidade da tinta do pinhão antes mesmo do alimento ser consumido. Ferveu cascas, testou materiais, mergulhou fios e encontrou ali algo precioso: A cor da tradição.
As princesas receberam tons caramelizados, alcançados após poucas horas de fervura. Já o vestido da rainha permaneceu cinco dias no fogão à lenha, pois, algumas cores não aparecem rapidamente.
Coleção que abraça a gente e nos torna íntimos da nossa própria Lages
Toda a coleção conversa com o ciclo do tempo, com aquilo que floresce, permanece e retorna. As árvores também foram trabalhadas com luz e sombra, como se o próprio Sol atravessasse a mata serrana.
Os arabescos, as franjas de pérolas e os bordados; toda a imponência dos vestidos de gala. Esta coleção une dois mundos: A rusticidade da terra e a elegância da Realeza. O artesanal e o sofisticado coexistem, assim como coexistem força e delicadeza. A arte viva não é perfeitamente simétrica, a imperfeição faz parte da criação humana, e é justamente isto que torna cada peça exclusiva.
Mulheres congelam o tempo com o dom das suas mãos artísticas
Os vestidos, cada um pesando 15 quilos, não foram feitos por uma única pessoa, o que transforma a peça em algo maior que um vestido, a transforma em patrimônio afetivo. Tem o tempo, a dedicação e o trabalho de mulheres serranas - Cleci, Joelma, Ivone, Rita, Vera, Elza, Odete, Rose, Dora, Sandra, Andreia e Nilceia.
Com o apoio da Prefeitura de Lages - administração municipal liderada pela prefeita Carmen Zanotto, e da Secretaria de Políticas para a Mulher e para a Pessoa Idosa, mais crocheteiras puderam participar desta construção.
Rainha e princesas da Realeza Mirim se divertem com trajes delicados e icônicos
Os vestidos da rainha Maria Laura Corrêa Rodrigues e das princesas Brenda Nathyelly Ilha e Maria Ádelin Westphal Moro são lindos. Em crochê, nos tons verde escuro, igual a uma floresta de araucárias, e terracota, na cor do pinhão, com flores e laços em azul Tiffany, os trajes das garotinhas impressionam ainda mais pela aplicação de duas miniaturas de um casal de Gralhas Azuis em seus barrados, feitos de crochê.
O traje da Realeza Mirim nasce da delicadeza da infância unida à força simbólica da cultura serrana. Cada elemento foi pensado como uma forma de preservar memórias, tradições e afetos através do fazer manual.
As Gralhas Azuis aparecem como símbolo central da criação, representando as Guardiãs das Sementes e da Continuidade da Vida nos Campos da Serra. Para traduzir este olhar de infância e acolhimento, utilizou-se a técnica do amigurumi, feito em crochê, trazendo às peças uma construção artesanal carregada de sensibilidade e significado. Mais do que elementos decorativos, as gralhas representam o cuidado com aquilo que é passado de geração em geração.
Os barrados presentes nos vestidos enfatizam esta conexão com o trabalho manual e com a tradição das mulheres serranas, valorizando técnicas artesanais que atravessam o tempo. Cada ponto, textura e acabamento absorve a ideia de permanência, como memórias costuradas cuidadosamente à mão.
A paleta de cores foi inspirada nos tons da araucária, trazendo verdes profundos, nuances naturais e referências visuais aos pinheiros que marcam a paisagem da Serra. O traje se constrói, então, como um símbolo de continuidade: A infância carregando consigo a memória cultural, o pertencimento e a herança afetiva da terra de Lages.
Empolgadíssimas. “Nós, Realeza da Festa Nacional do Pinhão, temos certeza que nossos trajes contam a história de Lages e a nossa também. Estamos ansiosas e maravilhadas”, emociona-se a rainha Maria Laura, representando as reações das princesas e a sua própria.
Adornos são vitrines da história
Fabricadas artesanalmente, as coroas da Realeza e da Realeza Mirim exibem araucárias, pinhas, pinhões e flores azuis cravejados de pedrarias e, claro, as faixas bordadas e com pedrarias, as estolas de pele e os chapéus campeiros completam a beleza das beldades.
Festa e mais Festa!
Lages, o município referência e mais populoso da Serra de Santa Catarina e um dos mais expoentes na economia do Estado, apresenta a 36ª edição de sua principal Festa, aquela que desvenda sua história, cultura, tradição, folclore, música, arte e gastronomia. Santa Catarina respira a Festa em vários cantos de Lages. De 22 de maio a 7 de junho, a nacionalmente conhecida Festa Nacional do Pinhão, com intenso roteiro de shows locais, regionais e nacionais no Recanto do Pinhão Aracy Paim, Parque de Exposições Conta Dinheiro e Mercado Público Municipal Osvaldo Uncini, bem como a 24ª Sapecada da Serra Catarinense e 32ª Sapecada da Canção Nativa.
Agora, é só aproveitar: Lages espera a todos. Que seja uma maravilhosa Festa Nacional do Pinhão!
Texto: Daniele Mendes de Melo
Descrição trajes oficiais: Assessoria de Imprensa La Unica Ateliê
Fotos Realeza: Sabrina Rodrigues/Divulgação
Fotos Realeza Mirim: Fábio Pavan
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