Fotos: DAROSA Films A influência da cultura gaúcha e os costumes serranos aparecem nas roupas e acessórios usados pelo público durante a programação cultural. Moradores e visitantes entram no espírito do evento e transformam a festa em um verdadeiro encontro de tradições
Muito além da música, da gastronomia e das manifestações culturais, a 36ª Festa Nacional do Pinhão também se transforma em uma grande vitrine da tradição serrana. Durante os dias de festa, especialmente nas noites das Sapecadas da Serra Catarinense e da Canção Nativa, é comum encontrar moradores e visitantes vestidos com peças típicas que valorizam a cultura, os costumes e as raízes da região.
Bombachas, vestidos de prenda, botas, alpargatas, ponchos, chapéus, lenços e peças em couro dividem espaço com releituras contemporâneas inspiradas no universo campeiro, mostrando que a tradição segue viva e se adapta às novas gerações sem perder sua essência. “Ver os lageanos e também os visitantes valorizando as vestimentas típicas durante a Festa Nacional do Pinhão é motivo de muito orgulho. Cada poncho, bombacha, bota ou chapéu carrega um pouco da nossa história. A festa é esse grande encontro da cultura, da música e dos costumes que passam de geração em geração e ajudam a manter viva a essência do nosso povo”, destaca a prefeita Carmen Zanotto.
O casal Gustavo Ribeiro e Alice Tives, sempre presentes nas Sapecadas da Serra Catarinense e da Canção Nativa, carregam consigo o gosto pela tradição, pela música e cultura gaúcha. Contam que desde crianças, acompanhando seus pais que sempre escutavam músicas gaúchas e nativistas, os motivaram a perpetuar a tradição que passa de geração em geração. “Significa um estilo de vida no qual me sinto à vontade e ao mesmo tempo diferente, carregando junto com a vestimenta toda uma história que pertenceu aos nossos antepassados, tendo o compromisso de levar a cultura a diante. Uso a pilcha sempre, não somente na Festa do Pinhão. Para mim, é como se fosse uma roupa normal do dia a dia”, destaca Gustavo.
Para Alice, vestir-se de maneira tradicionalista na Festa Nacional do Pinhão é uma forma de honrar a história da Serra Catarinense. “Sinto-me orgulhosa em fazer parte dessa tradição, e ver como a valorização da cultura está muito viva na nossa Serra. Quando os jovens e crianças vestem a pilcha ou celebram a cultura serrana, eles não estão apenas repetindo hábitos antigos, mas sim mantendo viva a nossa história”, diz.
Acessórios enaltecem a cultura gaúcha durante as Sapecadas
Durante a realização da 24ª Sapecada da Serra Catarinense e da 32ª Sapecada da Canção Nativa, o principal palco da música nativista da festa, é o momento quando mais são encontrados trajes típicos, dos mais variados, circulando pelo calçadão da Praça João Costa. Em frente ao palco, as vestimentas ajudam a criar uma atmosfera ainda mais autêntica. O público entra no espírito do evento e transforma os espaços culturais em um verdadeiro encontro de tradições, preservando a cultura regional.
Jessica Matos e o esposo Jhony de Sá também fazem questão de acompanhar o festival vestidos à caráter. A família inteira se envolve, incluindo os filhos na tradição. É ele quem define as vestimentas, priorizando peças que retratem os costumes serranos. O poncho e o chapéu são itens indispensáveis na vestimenta. “Geralmente as peças são compradas especialmente para a festa, mas possuímos algumas herdadas também, como um pala e um colete que foram herança de avô materno. Guardamos e usamos com carinho”, conta Jessica.
Para turistas e visitantes, vestir-se com elementos típicos também representa uma forma de integração com a Festa do Pinhão e com os costumes locais. Seja com um poncho sobre os ombros, uma bota campeira ou um chapéu tradicional, muitos aproveitam a experiência para vivenciar de perto a cultura da Serra Catarinense.
Orgulho em ser serrano
A vestimenta típica da Serra Catarinense carrega forte influência da cultura gaúcha, muito presente em Lages e nos municípios vizinhos. Não se trata de apenas um estilo, as roupas representam o respeito às tradições e orgulho de ser serrano.
O lageano e amante da música nativista, João Largura, está sempre pilchado em eventos voltados ao meio tradicionalista, como forma de lembrar e honrar as tradições e costumes serranos. Quando questionado sobre qual peça do seu traje ele mais gosta ou considera mais simbólica, a sua faca adaga tem forte valor sentimental. “Sou suspeito para falar, mas eu gosto mais da faca "adaga" acho que ela sem dúvidas é um dos itens indispensáveis em uma pilcha”, comenta.
Para ele, a festa é uma oportunidade de valorizar e divulgar ainda mais os costumes e tradições aos visitantes. “Cada região tem sua cultura e costumes, mas para nós lageanos se torna diferente, porque a Festa do Pinhão é o principal meio de apresentar nossa comida típica, nossos trajes e afins devido à grande quantidade de turistas que recebemos em nossa cidade”, afirma.
Vestimentas que carregam a cultura de um povo
Lages é amplamente considerada a cidade mais gaúcha de Santa Catarina, devido a sua forte ligação com as tradições do Sul do Brasil. A região carrega uma herança histórica ligada ao tropeirismo, e as vestimentas típicas são um legado deixado por um povo que tinha como base as lidas no campo.
As bombachas surgiram como peças funcionais para o trabalho no campo e para as longas cavalgadas. Com modelagem ampla e confortável, tornaram-se símbolo da cultura tradicionalista do Sul do Brasil. Já as botas de couro seguem como item indispensável para enfrentar o frio serrano e compor o traje típico utilizado em apresentações artísticas, rodeios e encontros culturais.
Os ponchos também chamam atenção durante a Festa do Pinhão. Além de protegerem das baixas temperaturas comuns nesta época do ano, carregam forte valor cultural e histórico. Tradicionalmente utilizados pelos tropeiros que cruzavam a região Sul, hoje aparecem em diferentes cores, estampas e modelagens, sendo usados tanto de forma tradicional quanto em produções modernas.
O couro, outro elemento marcante da cultura serrana, aparece em cintos, chapéus e acessórios, e também nas vestimentas. Roupas como jaquetas, calças e saias em couro ou courino, é forte tendência deste ano. As peças remetem ao cotidiano campeiro e ajudam a preservar características históricas da região, marcada pela pecuária e pelo tropeirismo.
Texto: Aline Tives
Fotos: DAROSA Films
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