Fotos: Divulgação “Coxilha Rica: Da Identidade Rural à Experiência Turística”, em um encontro de reflexão sobre como paisagens, histórias e saberes da região podem contribuir para o desenvolvimento do turismo de experiência, e “Segurança e Gestão de Riscos no Turismo de Aventura e no Ecoturismo: Caminhos para Operações mais Seguras e Profissionais
Um dos espaços mais deslumbrantes do Brasil, esculpidos pela perfeição da natureza, está localizado bem perto de Lages. A Coxilha Rica, na Serra de Santa Catarina, compreende uma região situada nos municípios de Lages e Capão Alto. Da área de Lages (o maior município em extensão do Estado de Santa Catarina), a Coxilha Rica percorre cerca de 100 quilômetros quadrados de zona rural em uma planície localizada a mais de mil metros acima do nível do mar. A vegetação predominante é rasteira, de gramíneas, e onde ocorrem remanescentes de floresta encontra-se a araucária. O nome “coxilha” dá-se ao fato da região ser formada por um vasto terreno ondulado.
A região da Coxilha Rica abriga uma rica diversidade de animais silvestres e de criação adaptados aos campos de altitude. A respeito da fauna silvestre e espécies raras, há os animais nativos, em que a vegetação farta e o relevo de campos ondulados servem de refúgio para espécies, como, o veado-campeiro, graxains e quatis.
Quanto a predadores e aves, há registros de grandes felinos e pequenos carnívoros, a exemplo de jaguatiricas (com aparições recentes documentadas na região), além de aves raras, como, a águia-cinzenta. De espécies exóticas, a presença de javalis registrada na área rural e rodovias próximas, exigindo atenção com o manejo.
E, por fim, animais de criação e história, o gado crioulo lageano. Linhagem bovina rústica descendente de rebanhos antigos que se adaptaram aos campos da Serra Catarinense.
A região é historicamente marcada pelo trânsito de cavalos e mulas devido ao antigo Caminho das Tropas, sendo hoje um destino famoso para turismo ecológico e cavalgadas. Esta, a tradição tropeira.
E para valorizar ainda mais este assunto, a Secretaria Municipal do Turismo de Lages - Prefeitura de Lages promoveu a 1ª Oficina do Roteiro Agroturístico da Coxilha Rica - Rota Caminho dos Tropeiros, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O evento, cujo público-alvo destas Oficinas são proprietários rurais e empreendedores turísticos da região, aconteceu nesta segunda-feira (24 de agosto), no Mercado Público Municipal Osvaldo Uncini, ao longo do período vespertino até o começo da noite.
Estes proprietários estão inscritos desde o início do processo. Um grupo composto por aproximadamente 15 empreendimentos unidos para desenvolver a Rota Caminho dos Tropeiros.
A Rota Caminho dos Tropeiros abrange um território ampliado, além da região da Coxilha Rica, e leva em consideração critérios, como, o contexto histórico e equipamentos de turismo disponíveis.
A programação da Oficina contou com a exibição do tema “Coxilha Rica: Da Identidade Rural à Experiência Turística”, em um encontro de reflexão sobre como as paisagens, histórias e saberes da região podem contribuir para o desenvolvimento do turismo de experiência. Na sequência houve a abordagem do tema “Segurança e Gestão de Riscos no Turismo de Aventura e no Ecoturismo: Caminhos para Operações mais Seguras e Profissionais”. A 2ª Oficina do Roteiro Agroturístico da Coxilha Rica - Rota Caminho dos Tropeiros está agendada para 10 de setembro, quinta-feira, no mesmo horário e local - A partir das 14h, às 19h, no Mercado Público, Centro de Lages.
A Coxilha Rica, na Serra Catarinense, vem se consolidando como um dos novos destinos brasileiros de turismo de experiência ao unir paisagens naturais, patrimônio histórico e hospedagem de alto padrão. “Turistas de várias partes do mundo vêm para a Coxilha Rica. Principalmente da Europa. Por isto, conhecimento agregado em capacitações sempre são bem-vindos e surtem efeitos de desenvolvimento e da economia. Os campos da Coxilha Rica nutrem forte herança do tropeirismo. Preservados pela região, os muros de pedra centenários, fazendas históricas e tradições rurais transformam a estadia dos turistas em uma imersão cultural e sensorial. As experiências da vida no campo e ligadas à rotina rural, com passeios, cavalgadas trilhas, observação de paisagens e animais, visitas às fazendas centenárias, ordenhas e os prazeres da culinária serrana no clima gelado do outono e inverno são memórias incríveis e a serem repetidas a cada ano. A Coxilha Rica sempre deixa saudades a quem a visita, e é sim, um lugar espetacular para o turismo rural. A Secretaria do Turismo segue desenvolvendo na prática os preceitos preconizados pela administração da prefeita Carmen Zanotto, a exemplo do incentivo ao turismo rural e do alcance de Lages como opção turística para o Brasil e exterior do país”, evidencia a secretária do Turismo de Lages, Ana Vieira.
Conheça mais sobre a nobre Coxilha Rica
Considerada a primeira via terrestre de ligação entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil, o Caminho das Tropas, traçada no século XVIII, abrangia a Coxilha Rica. Passavam pela região tropeiros que levavam gado do Rio Grande do Sul a São Paulo (Sorocaba) e Sul de Minas Gerais. Os principais rios que correm pelo local são Pelotas, Pelotinhas, Penteado, Lajeado Bonito e Lava-Tudo.
As propriedades privadas instaladas na Coxilha Rica são principalmente fazendas destinadas à criação de gado. Portanto, a principal atividade econômica exercida na Coxilha Rica é a pecuária. Há séculos cria-se gado na região, que concentra a maior variedade de raças bovinas de corte do Brasil. Devido a estas fazendas e à paisagem natural, a Coxilha Rica é uma região propícia ao turismo rural. Na região também encontra-se fazendas históricas; houve muitas batalhas como a Guerra dos Farrapos.
O local dispõe, ainda hoje, de mais de 100 quilômetros de corredores de taipa (muros de pedra) intactos, constituindo um patrimônio cultural, histórico e arquitetônico regional. Os corredores foram construídos por escravos (negros e indígenas) e peões, com o objetivo de evitar a dispersão dos animais conduzidos pelos tropeiros. A rota seguida pelos tropeiros ia de Sorocaba (SP) até Viamão (RS), e Lages se constituiu, ao longo de séculos, como entreposto natural. Na região ainda é comum encontrar com os taipeiros, para aprender o ofício de construção de muros e edificações, sua impressionante arte em trabalhar as pedras, saber tradicional transmitido de geração à geração. Também como, benzedeiras e benzedeiros, estes, por sua vez, guardiões dos conhecimentos tradicionais sobre saúde, religiosidade popular e plantas medicinais.
Texto: Daniele Mendes de Melo, com informações de pesquisa
Fotos: Divulgação
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