Fotos: Fábio Pavan/Arquivo Pessoal, Fecomércio - CNC - Sesc - Senac - Sindicatos Empresariais/Divulgação e Divulgação Em âmbito geral, levantamento sublinha papel estratégico do turismo de inverno para economia da Serra Catarinense, e enaltece tanto potencial de crescimento, quanto necessidade de ações coordenadas entre setor público e iniciativa privada com propósito de assegurar sustentabilidade e competitividade do destino no longo prazo
A reunião da Câmara Empresarial de Turismo, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) - Serviço Social do Comércio (Sesc) - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) - Sindicatos Empresariais, promovida nesta quinta-feira (3 de setembro) no município de São Joaquim - Serviço Social do Comércio (Sesc), em formato aberto, contou com a participação da Prefeitura de Lages, por intermédio da Secretaria Municipal do Turismo.
O conteúdo exposto abrangeu a divulgação dos resultados da Pesquisa Turismo de Inverno na Serra Catarinense, com a presença da secretária de Estado do Turismo de Santa Catarina, Catiane Seif; Carta do Comércio - Vai Turismo, e assuntos gerais.
O levantamento traça um panorama detalhado do desempenho da temporada e do perfil dos visitantes, dos fluxos regionais e dos impactos econômicos nos setores de comércio e serviços.
De forma geral, o levantamento sublinha o papel estratégico do turismo de inverno para a economia da Serra Catarinense, e enaltece tanto o potencial de crescimento, quanto a necessidade de ações coordenadas entre setor público e iniciativa privada com o intuito de assegurar a sustentabilidade e a competitividade do destino no longo prazo. “Lages possui resultados extremamente significativos e positivos em relação ao turismo. A temporada das estações de outono e inverno e a Festa Nacional do Pinhão são nossos ápices. A movimentação de turistas e econômica desenvolve o município a passos largos. A Pesquisa de Turismo de Inverno nos posiciona e contribui para a tomada de decisões e para traçarmos modos de gestão capazes de tornar Lages ainda mais próspera. O estudo apontou que Lages está entre as três cidades da Serra onde a distribuição dos visitantes está concentrada. Está junto a Urubici e São Joaquim. Os planejamentos e ações delineados na gestão pública municipal liderada pela prefeita Carmen Zanotto caminham para impulsionarmos Lages como destino de maneira assertiva, precisa e permanente a cada ano”, analisa a secretária municipal do Turismo de Lages, Ana Vieira.
Registros fotográficos das preciosidades de Lages podem ser acompanhados na Galeria de Imagens desta matéria.
A Serra Catarinense como destino de maior valor agregado, a partir da atração de turistas com maior renda e elevado nível de consumo e maior diversificação de experiências durante a viagem
Os resultados evidenciam uma mudança estrutural no destino. De acordo com a constatação da Fecomércio, a temporada de inverno de 2026 na Serra Catarinense registrou crescimento real de 4% nos gastos dos turistas em relação ao ano anterior, fortificando a consolidação do destino como um dos principais polos de turismo de inverno do Brasil. O avanço foi impulsionado principalmente pelas despesas com comércio local e aquisição de pacotes turísticos, refletindo um público com maior poder de consumo e maior diversificação de experiências durante a viagem. Portanto, a Serra Catarinense se solidifica como um destino de maior valor agregado, atraindo turistas com maior renda e elevando o nível de consumo. Este movimento fortalece a economia regional, mas também exige planejamento e qualificação contínua dos serviços, como aponta a própria Federação.
O estudo mostra que o gasto médio por grupo de turistas chegou a R$ 3.852 na temporada, com ênfase para hospedagem e alimentação, que concentram a maior parte das despesas. Além disto, 80% dos visitantes realizaram compras no comércio local, com impacto direto do turismo sobre a economia da região. Os turistas que viajaram de avião apresentaram o maior nível de consumo, com média de R$ 5.995 por grupo, enquanto excursionistas tiveram gasto médio de R$ 664.
Um novo perfil econômico de turista
Apontado pela Pesquisa Turismo de Inverno, outro ponto relevante compreende a mudança no perfil do público, com crescimento significativo da participação de turistas de maior renda. Em 2026, 41,5% dos visitantes declararam renda familiar acima de oito salários mínimos, estabilizando este grupo como maioria.
Já a faixa acima de 15 salários mínimos praticamente dobrou na última década, ou seja, indicou uma transformação estrutural no turismo regional. Em contrapartida, as faixas de menor renda seguem em retração contínua, especialmente entre visitantes com até dois salários mínimos.
Perfil geográfico
A Pesquisa Turismo de Inverno na Serra Catarinense também detalha o perfil geográfico dos visitantes: 60,9% são catarinenses, com forte concentração no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis. Entre os turistas de outros Estados, predominam visitantes do Paraná e de São Paulo, sobretudo de Curitiba e da capital paulista. A presença de turistas de fora de Santa Catarina segue em expansão gradual, apoiada por investimentos em promoção e infraestrutura, em paralelo a iniciativas como o Programa Voa+SC e a ampliação da conectividade aérea regional.
Viajar com veículo próprio é o meio líder de escolhas e modal aéreo com maior patamar da série histórica
Em relação ao deslocamento, o veículo próprio segue como principal meio de acesso, representando 82,6% das viagens. No entanto, o modal aéreo atingiu o maior patamar da série histórica, chegando a 9,5% em 2026, a segunda principal forma de chegada. O transporte rodoviário fretado também cresceu, enquanto o uso de ônibus regular praticamente desapareceu do fluxo turístico.
As quilometragens dos turistas
Em termos de distância, os turistas que permanecem na região percorrem, em média, 530 quilômetros até a Serra, enquanto excursionistas fazem deslocamentos médios de 174 quilômetros. Já os visitantes que chegam por avião percorrem mais de 1.800 quilômetros, evidenciando o avanço da capacidade de atração nacional do destino.
Mudanças no comportamento de hospedagem: Hotelaria tradicional é a líder, porém, opção por imóveis alugados aumenta de forma expressiva
O estudo aponta ainda mudanças no comportamento de hospedagem. A hotelaria tradicional mantém a liderança, com 53% das estadias, mas os imóveis alugados por temporada cresceram de forma expressiva, alcançando quase 30% do total. O movimento é impulsionado pela consolidação das plataformas digitais e pela integração entre Online Travel Agency (OTAs) - Agência de Viagem Online (plataformas digitais em que os viajantes podem pesquisar, comparar e reservar hospedagens, passagens aéreas, aluguel de carros e pacotes de turismo) e serviços de aluguel por temporada, o que reduziu as fronteiras entre os modelos de hospedagem.
Venda direta na hotelaria sobre canais de reserva, imóveis de temporada por plataformas digitais e aplicativo de mensagens por aparelho celular como negociação, especialmente nas alternativas
Quanto aos canais de reserva, a hotelaria ainda é fortemente dependente de venda direta, enquanto imóveis de temporada são majoritariamente contratados via plataformas digitais. O WhatsApp também aparece como ferramenta relevante na negociação direta, especialmente em hospedagens alternativas.
Concentração de turistas em Lages, Urubici e São Joaquim
A Pesquisa Turismo de Inverno na Serra Catarinense, da Fecomércio SC, exibe: A distribuição dos visitantes indica concentração em Urubici, São Joaquim e Lages, com destaque para Urubici, que concentra mais da metade das estadias.
Elevação da tendência “hospedagem-destino”
Simultaneamente, cresce a tendência da chamada “hospedagem-destino”, em que o local de estadia deixa de ser apenas suporte e passa a ser a própria atração turística, com experiências ligadas à natureza, gastronomia e enoturismo.
Diversificação da oferta turística: Escolha pelo enoturismo avança
O enoturismo, inclusive, apresentou avanço relevante na temporada, com 20% dos turistas em visita a vinícolas da região, estendendo a diversificação da oferta turística. O turismo de natureza e de lazer seguem como principais motivações de viagem, com acento para atrativos, como, o Morro da Igreja, a Serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco.
Panorama traçado por empresários
Apesar do desempenho positivo no consumo dos turistas, a percepção dos empresários aponta um cenário mais cauteloso, com queda de 6% no faturamento em relação ao inverno de 2025, ainda que os resultados permaneçam superiores aos períodos de baixa temporada. Revela-se um descompasso entre o aumento do gasto médio por turista e os desafios operacionais do setor.
Importância da articulação entre setor produtivo e Poder Público para fortalecimento do turismo catarinense
Com a finalidade de transformação do potencial turístico cada vez mais em desenvolvimento, existe a necessidade de avanço em pautas estruturantes, como, conectividade aérea, segurança jurídica, questões tributárias e sustentabilidade.
Texto - Edição: Daniele Mendes de Melo
Informações: Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) - Serviço Social do Comércio (Sesc) - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) - Sindicatos Empresariais
Fotos: Fábio Pavan/Arquivo Pessoal, Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) - Serviço Social do Comércio (Sesc) - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) - Sindicatos Empresariais/Divulgação e Divulgação
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