Fotos: Fábio Pavan, Iago Matias e Toninho Vieira Programa Escola em Movimento - Oficinas de Contraturno (Pemuc) tem por objetivo proporcionar aos estudantes do Ensino Fundamental um ambiente enriquecedor, inclusivo e acolhedor, por meio de uma educação dinâmica e relevante
As atividades pedagógicas do Programa Escola em Movimento - Oficinas de Contraturno (Pemuc) iniciaram no dia 26 de maio deste ano. Em cerca de três meses e meio, o Programa da Secretaria da Educação já mudou a realidade e rotina dos estudantes do Sistema Municipal de Educação.
O Escola em Movimento tem como eixo principal ampliar o tempo de permanência dos estudantes de 29 Escolas Municipais de Educação Básica (Emebs) por meio da oferta de oficinas culturais, esportivas e pedagógicas. Seu intuito é propiciado aos estudantes do Ensino Fundamental um ambiente enriquecedor, inclusivo e acolhedor, pela forma de uma educação dinâmica e relevante.
Cada unidade de ensino oferece entre duas e quatro oficinas, com a realização das atividades pedagógicas duas vezes por semana. Os estudantes estão divididos em grupos de 20 a 25 participantes, conforme critérios das direções. Cada grupo participa de duas oficinas ao longo de cada período de atividades. Pelo Programa Pratinho Firmeza, os estudantes ainda recebem alimentação completa, conforme a oferta de cada unidade de ensino.
O secretário municipal da Educação, professor Dr. Cristian de Oliveira, celebra os resultados alcançados pelo Pemuc até o momento. “Recebemos da prefeita Carmen Zanotto a missão de transformar a educação municipal. Sabíamos que as Oficinas de Contraturno tinham o potencial de mudar a vida de nossas crianças e estudantes. Temos ajustes por realizar, dificuldades quanto ao espaço em algumas unidades, mas é gratificante perceber o quanto o Pemuc já está contribuindo para impulsionar o aprendizado e o desejo pelo conhecimento dos nossos estudantes.”
De acordo com a professora formadora do Programa, Maitê Souza, a avaliação do Pemuc é positiva. “Apesar de ainda estarmos num período de adaptação, os estudantes participantes das oficinas têm demonstrado interesse e satisfação com as atividades propostas. O contraturno tem proporcionado novas experiências pedagógicas, culturais e esportivas e contribuído para tornar a escola um espaço ainda mais inclusivo, atrativo e acolhedor, trazendo um movimento diferente para as nossas escolas. Observamos um empenho significativo das equipes escolares em ajustar rotinas e garantir condições adequadas para a realização das oficinas.”
Emeb Ondina Neves Bleyer - Divertida Mente e a expressão dos sentimentos na Oficina de Clube do Livro e Cinema
Divertida Mente é uma conhecida animação da Disney Pixar que retrata o período entre 11 e 12 anos de Riley, uma garotinha, e sobre as emoções que a controlam: Alegria, Medo, Tristeza, Raiva e Nojinho. Neste período, Riley e suas emoções passam por muitas mudanças, não só porque Riley está crescendo, mas também porque ela está se mudando para outra cidade. Em Divertida Mente 2, Riley tem de lidar com os desafios da puberdade e a chegada em uma nova escola. É a vez de novas emoções (ansiedade, tédio e inveja) entrarem em cena.
Divertida Mente é um dos filmes trabalhados na Oficina de Clube do Livro e Cinema da Emeb Ondina Neves Bleyer. Segundo a professora da Oficina, Marcia Fernanda Morais Córdova Correia, a história de Riley foi usada para estimular a expressão de sentimentos. “Cada criança pode relatar o que sente. Provocou uma discussão entre todos. Cada um ficou à vontade ‘pra’ relatar o que acha, aquilo que mais mexe com eles”, descreve a professora Marcia.
A professora Marcia trabalhou os senimentos por cerca de 15 dias. Os filmes usados não são exibidos todos de uma vez. Segundo a educadora, o objetivo não é usar os filmes para ocupar tempo. “A aula não deve ser cansativa. Vamos assistindo aos filmes em partes, enquanto isto vamos conversando e trabalhando. Deve ser prazeroso, para que eles se sintam bem, se divirtam, mas que eles se sintam à vontade para colocar aquilo que sentem”, ressalta.
Como apoio literário do tópico, a professora trabalhou livros, como, O pequeno Príncipe, clássico da literatura infantil, de Antoine de Saint-Exupéry, e A Caixa de Jéssica, de Peter Carnavas, que narra a história de uma menina que leva uma caixa especial no seu primeiro dia de aula, na tentativa de fazer novas amizades.
A Oficina ocorre todas as quartas-feiras, nos turnos das manhã e tarde. Participam estudantes de 2º a 8º anos do Ensino Fundamental, em clima de total harmonia. “Os maiores acabam ajudando os menores. É interessante perceber o respeito entre eles”, justifica a professora.
Após os sentimentos, o novo tópico de trabalho da Oficina é o bullying. As crianças estão confeccionando o Sr. Bullying, personagem que as ajudará a tratar o delicado tema. “Promovemos uma conversa para que todos entendam que o bullying não é mais aceito como uma coisa normal. Temos que falar dele, mas tomar o cuidado para não praticá-lo”, enfatiza. Para trabalhar o bullying, os estudantes vão escolher entre Zootopia e o Touro Ferdinando. A música também é trabalhada na Oficina. “Se tiver música no filme, trabalhamos também. Não ficamos apenas nos livros e filmes.”
O estudante Davi Marcon revela o que mais aprendeu com a Oficina de Clube do Livro e Cinema até o momento. “Aprendi muitas coisas, sobre bullying, sentimentos. A Oficina colabora para que eu leia mais livros, histórias. Gosto da HQ do Homem-Aranha e, no cinema, filmes de dinossauros.”
Maria Clara Rosário também passou a ler e se interessar mais sobre cinema com a Oficina. “Gosto de ler. Comecei a ler e me interessar mais depois da Oficina. Gosto dos quadrinhos da Turma da Mônica e mangás. No Cinema, Divertida Mente, Homem- Aranha e Guerreiros do K-Pop”, destaca Maria.
Gabriele Messiner Oliveira também gosta da Oficina. A leitura não fazia parte de sua rotina. Agora já lê até Edgard Allan Poe. “Bem legal a Oficina. Antes não lia praticamente nenhum livro. Estou gostando das atividades, dos colegas e da professora. Vai me ajudar sobre os assuntos, como evitar o bullying e ler mais. Gosto de assistir séries, as aventuras da Marvel e DC. Na literatura estou lendo August Dupin, o primeiro detetive, que inspirou as histórias do Sherlock Holmes.”
Para a diretora da Emeb Ondina Neves Bleyer, Alessandra Wolinger Machado, as Oficinas de Contraturno proporcionam aos estudantes um desenvolvimento que vai além de conteúdos de sala de aula e ainda garante a tranquilidade dos pais. “As oficinas preenchem tempo livre dos estudantes com opções de oficinas produtivas e divertidas. O ambiente escolar possibilita tranquilidade aos pais que sabem que seus filhos estão em segurança e desenvolvendo habilidades socioemocionais e físicas. A Oficina Clube do Livro e Cinema aprimora as habilidades de leitura, escrita, comunicação, estimula criatividade, autonomia, autoconfiança e socialização. Habilidades de grande importância no desenvolvimento dos nossos estudantes.”
Frei Bernardino - Língua Inglesa e as Tradições Gaúchas
Na Emeb Frei Bernardino, no bairro Frei Rogério, os estudantes têm a oportunidade de aprender inglês de maneira lúdica. As cores são trabalhadas e fixadas por embalagens de utensílios domésticos e música. “A cor é correspondente ao que está sendo apresentado. Hoje, no caso, por meio de tampas roxas, trabalhamos o roxo, purple. Por meio de utensílios vermelhos, a cor vermelha, red”, explica o professor da Oficina, Reynaldo Tonolli.
Para o estudo dos números, o professor Reynaldo realizou um bingo. “Eles tinham que saber os números em inglês. Eu dizia e cantava a pedrinha em inglês e eles deveriam preencher a tabela”, descreve o professor Reynaldo. Já as atividades de alfabeto e formação de palavras foram realizadas por meio de soletração. Os estudantes deveriam saber a palavra, enquanto o professor Reynaldo soletrava.
Teodoro Teixeira, estudante do 5º ano, acredita que a Oficina abrirá muitas portas. “Hoje compreendo melhor as músicas e filmes, melhorei a dicção e estou mais confiante para falar inglês”, relata Teodoro. Nicole Barcellos Martins também aprova a Oficina. “Consigo aprender melhor como se fala em inglês. Quando for para outras escolas, já vou ter a base do conhecimento. Gosto das músicas, do professor. Ele corrige em português o que a gente fala errado”, argumenta Nicole.
Na Emeb Frei Bernardino participam das Oficinas de Contraturno turmas compostas por estudantes de 3º e 5º anos do Ensino Fundamental. Além de Língua Inglesa, há a oferta da Oficina de CTG - Tradições Gaúchas (Centro de Tradições Gaúchas). As turmas participam das duas oficinas, em períodos alternados, todas as quintas-feiras.
Na Oficina de CTG - Tradições Gaúchas, assim como ocorre com a língua inglesa, os estudantes aprendem sobre a cultura do Estado vizinho do Rio Grande do Sul de maneira lúdica. “Comecei trabalhando com os símbolos e as danças dos CTGs. Apresentei cada CTG de Lages para eles. Também fazemos atividades que são mais teóricas. Neste momento, os estudantes estão produzindo um lapbook, que apresenta os alimentos, símbolos oficiais, imagens e gírias do gaúcho”, explica a professora da Oficina de CTG - Tradições Gaúchas, Naiara de Jesus.
As danças parecem ser a atividade preferida dos estudantes da Oficina de CTG. “É bem legal. Gosto quando dançamos, fazemos as tarefas. Minha preferida é a Dança do caranguejo”, admite Allana Fragoso Pereira, do 3º ano. Lívia Ismaeli Garcia da Silva também aprova a Oficina. “’Tô’ gostando bastante. O que aprendo aqui mostro para a família e ‘eles’ entram na onda junto. Minha dança preferida é a do pezinho.”
De acordo com a diretora da Emeb Frei Bernardino, Leandra Agostinetto Piva, as Oficinas de Contraturno têm despertado bastante o interesse dos estudantes. “A assiduidade é bem alta. Os estudantes gostam bastante das Oficinas; a temática é bem atrativa para eles.”
Emeb Nicanor Rodrigues Goulart - A junção do Teatro, Cinema e Literatura
Na Emeb Nicanor Rodrigues Goulart, no bairro Habitação, as Oficinas de Teatro e Clube do Livro e Cinema foram agregadas para permitir o maior aprendizado possível aos estudantes.
A partir do uso de metodologias ativas, as professoras Carolina Cunha de Oliveira, da Oficina de Teatro, e Giulia Nunes, da Oficina de Clube do Livro e Cinema, procuram disponibilizar atividades pedagógicas que estimulem os estudantes e não se tornem maçantes. “Como não é obrigatório, precisamos nos esforçar para manter os estudantes aqui. Escutamos eles também, ‘pra’ ver o que eles esperam e se sintam mais à vontade.”
As atividades sempre buscam agregar as duas disciplinas. “Na semana passada fizemos uma dramatização do gibi da Turma da Mônica. A gente sempre inclui, teatro, cinema ou filme para a gente poder trabalhar junto e desfrutar o momento.”
A expressão artística dos estudantes transcende o uso de papel e caneta. “Temos trabalhado diretamente a linguagem corporal e não verbal, o que tem sido um sucesso; as crianças tem amado bastante. Podemos criar uma cena, dramatizar. Hoje eles conseguem se expressar numa forma que talvez no papel eles não conseguiriam”, defende Carolina.
O trabalho realizado com marionetes partiu da releitura de histórias e temas de interesse individual dos estudantes. “Não passamos um tema, especificamente. Cada um criou a sua história. Foi bem gratificante ver o retorno deles. Tivemos histórias bem emocionantes. Todos superaram as expectativas”, expressa Carolina. A confecção dos fantoches e cenários foi realizada a partir da utilização de materiais recicláveis.
A professora Giulia, esclarece que, após a superação da timidez inicial, os estudantes passaram a amar as aulas. “Eles começaram bem tímidos a primeira apresentação, mas hoje eles amam, sem medo, nem vergonha”, afirma. Giulia cita ainda o exemplo de um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Ele ama carro e a cor vermelha. Então ele fez a marionete de um carro. É gratificante ver que ele participou, foi incluído, não deixou de fazer. As atividades não precisaram ser adaptadas, porque ele se encontrou ali no teatro, cinema”, relata Giulia.
Edinalde Gomes da Silva, mãe de Rian da Silva, torce para que o Pemuc tenha vida longa. “O Rian está melhorando. É um lugar onde eles estão aprendendo bastante. Eu estarei no trabalho, mas sei que meu filho e as outras crianças vão estar aqui, seguros, com as professoras. É muito importante ‘pra’ mim. O Projeto é muito bom, particularmente gostaria que continuasse”, projeta Edinalde.
Henrique da Silva, de dez anos, gosta das matérias e das professoras. “Além das matérias serem fantásticas, as professoras são boas para a gente. Não ficamos só sentados numa cadeira. A turma inteira participa. Fazemos brincadeiras que têm tudo a ver com as oficinas”, realça Henrique.
A diretora da Emeb Nicanor Rodrigues Goulart, Silvana Antunes, ressalta os benefícios permanentes das Oficinas aos estudantes. “Eles estão felizes. A adesão às Oficinas foi grande. Aqui eles aprendem, se expressam e isto é para a vida toda. Todas as disciplinas são importantes, mas no contraturno, com atividades, como, teatro, matemática divertida, isto fica mais gravado. Tudo isto aqui é uma bagagem muito rica ‘pra’ vida deles.”
Texto: Glaucir Borges
Fotos: Fábio Pavan, Iago Matias e Toninho Vieira
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