Fotos: Fábio Pavan e Arquivo pessoal/Divulgação "(...) O fato mais marcante e emocionante da minha vida foi o nascimento dos meus filhos. Meu maior projeto e que realizei foi a criação deles; estudaram e hoje são pessoas realizadas e boas (...) Os momentos que considero mais especiais hoje são os dias em que estou ajudando na Igreja com as amigas, e os dias em que estou junto dos filhos."
Ela parece uma flor de um lindo jardim. Tem ternura, carisma, olhar de ternura, gestos delicados e um coração do bem. É uma rainha.
Um exemplo de mulher, esposa, mãe, avó e uma mensageira das obras de Deus, espalhando a semente da vida feliz que Jesus Cristo tanto plantou em amor à humanidade.
Ama a vida religiosa, o viver com discrição e multiplica o amor de suas referências de bem ao próximo e caridade, Nossa Senhora Aparecida, Jesus Cristo e a Sagrada Família.
Católica e de família grande, de descendência da Itália, sabe de cor e salteado a conjugação e a prática dos verbos amar, proteger, defender, respeitar e sonhar.
Sua casa marrom tem jardim florido e belas árvores, espalhando ar puro e deixando os passarinhos bem felizes; bons sentimentos, e uma área coberta, com vista privilegiada ao Morro da Santa Cruz, uma varanda e sacada típicas de casa de vó, e de onde dá para ver uma paisagem bem verdinha, com árvores altas, como exemplares de araucária.
O quintal parece um bosque. Tem plantas, ar gostoso, coisas naturais, coloridas e saudáveis boas de comer, de encher a boca d’água, flores desenhadas pelo talento de Deus e pássaros que cantarolam com intimidade pelo ambiente.
Do lado de dentro da residência, em um móvel na cozinha, a Bíblia Sagrada aberta, fiel companheira de todos os dias. Imagens sacras e diversos rosários protegem dona Lourdes e são presenças marcadas, fortes e espirituais em sua casa. Acender uma velinha para agradecer, meditar e expressar humildade é hábito na casa de dona Lourdes.
Nas paredes, um quadro da Santa Ceia de Jesus Cristo com os 12 Apóstolos em alto relevo e agradáveis quadrinhos coloridos decorativos. Suas amigas, as plantinhas - folhagens, suculentas e flores, como orquídea - sensíveis à luz solar, ficam na parte interna da casa. Muito bem cuidadas.
Natural de Urussanga, região Sul de Santa Catarina, dona Lourdes escolheu Lages para viver há mais de meio século, portanto, 51 anos, de seus 83 de idade. Esta libriana do primeiro dia do mês de outubro de 1942 reside no bairro Santa Rita, próximo do centro da cidade.
Lourdes Grassi Suppi é filha dos agricultores Ângelo Grassi e Pierina Fabris Grassi. Ela é a mais experiente entre os filhos, e tem 13 irmãos: José (in memoriam), Carolina (in memoriam), Antonio (mecânico aposentado), João (in memoriam), Pedro (in memoriam), Vitalina (enfermeira aposentada), Florinda (aposentada), Ines (aposentada), Maria (costureira, aposentada), Vitorio (empresário), Domingos (empresário), Mario (in memoriam) e Clementina (aposentada).
Seu parceiro de vida, Clemente Suppi, com quem foi casada por 59 anos, trabalhava como mecânico e há seis anos foi morar no plano espiritual. Lourdes é mãe de cinco filhos: Edmilton, 63 anos, empresário; Herminio, 61, empresário; Elizabete, 59 anos - contadora; Eliane, 57, administradora, e Edmiro, 55 anos - empresário.
A família cresceu, e são sete netos - Ilana, 34 anos, funcionária pública; Sandrigo, 30, administrador; Gustavo, 29, programador de Tecnologia da Informação (TI); Luis Henrique, 29, empresário; Leticia, 25 anos, estudante; Lucas, 25, estudante, e Luan, 18 anos, estudante. Duas bisnetas e um bisnetinho: Isadora, de 16 anos, e Isabela, dez anos, estudantes, e Caio, de um ano.
A costureira e do lar estudou até a 4ª série do ensino primário e é sábia como ninguém.
Sua rotina, composta por vários afazeres, como a costura, bordado, crochê e cuidados com a casa. Biquinhos de pano de prato, trilhos de mesa e em toalhas de lavabo são uma de suas especialidades.
Nos fins de semana ela faz um pouco de tudo. Quando resta um tempinho, dona Lourdes gosta de exercitar o raciocínio, a memória e o pensamento jogando caça-palavras, e reviver sua própria história revisitando o passado através de manusear e admirar fotos antigas. Claro que as de casamento, sempre.
Ela adora ver a vida surgir da terra; adora plantar hortaliças, legumes, frutas, árvores e flores. É uma festa para os beija-flores e abelhas.
A horta é sortida, tem de tudo: Alface, couve, chuchu, moranga, tomate e pimentão. Temperos são cebola verde, cebola branca (de cabeça), alho e pimenta. E tem uma curiosidade: Dona Lourdes fabrica temperos prontos em conserva, ideais para aquele arroz soltinho, aquela massa encorpada ou aquela carne assada de domingo. Os ingredientes e temperos verdes são moídos na máquina; os frascos de vidros preservam os produtos, a sua cor, viço, textura, a sua composição, a consistência, o frescor, o sabor e a qualidade.
Na lavoura, os chás cultivados são hortelã, sálvia, manjerona, alecrim e ora-pro-nóbis. As flores são rosas clássicas vermelhas e cor de rosa, mini rosas, coração-magoado - coleus (Coleus scutellarioides), coração-magoado/coração de Maria ou folha-de-sangue - iresine roxa (Iresine hersbtii), trapoeraba/marianinha/olho-de-santa-luzia - Tradescantia fluminensis Vell, hortênsias da variedade rosa, margaridas e copos-de-leite tradicionais e, aliás, exemplares de cor rosa (sim, isto mesmo, na variação de cor rosa; diferente, não é mesmo?!) e outros tipos. E uma árvore manacá, com flores roxas de tom suave.
Ah, e as frutas?! “Tenho um pé de kiwi carregado”, confessa, faceira, dando risada. Dona Lourdes gosta de viver em Lages “porque estou perto dos meus filhos”.
- Lourdes por sua própria versão
“Nasci em Urussanga. Quando tinha sete anos meus pais se mudaram para Celso Ramos. Eu e meus dois irmãos na carroceria do caminhão com a mudança. Foi pela Serra da Rocinha. Morava numa serraria, em que o pai trabalhava e a mãe cuidava dos filhos e fazia roça para subsistência. Estudei dois anos em colégio de freiras. Casei com 17 anos e quando tinha os filhos pequenos nos mudamos para Lages em busca de estudo e uma vida melhor. Cresceram, casaram e hoje moro sozinha depois de ficar viúva, mas próximo deles.”
- E a sua infância?
“Foi muito boa. Brincava com os irmãos ao mesmo tempo em que cuidava, pois, sou a mais velha. Fazia comida enquanto a mãe estava na roça e o pai trabalhava na serraria.”
- Vamos conhecer um pouco mais sobre a senhora
“Eu costuro, bordo, gosto de cuidar do jardim, plantar verduras e cuidar da casa. Minha inspiração na vida é Deus.
Meus ídolos são Chitãozinho e Xororó. Fãs? Tenho várias amigas que sei que gostam muito de mim.
Gosto da frase ‘Te amarei Senhor, eu só encontro a paz e a alegria bem perto de Ti.’ Meu lema de vida é ter saúde e ser feliz! Do que sinto saudades? Do meu esposo.
O fato mais marcante e emocionante da minha vida foi o nascimento dos meus filhos.
Meu maior projeto e que realizei foi a criação dos meus filhos; estudaram e hoje são pessoas realizadas e boas. Não tenho planos, o que vier está bom. Projeto de vida que desejo e ainda quero realizar é ver meus netos formados e com saúde. Minha esperança é ver o mundo melhor. Para Lages almejo que possa crescer em paz. Ao país? Um Brasil sem fome. Os momentos que considero mais especiais da minha vida de hoje em dia são os dias em que estou ajudando na Igreja com as amigas, e os dias em que estou junto dos filhos.”
- E como toda italiana, é mestre na culinária europeia
Dona Lourdes tem detém vasto conhecimento em gastronomia, sobretudo, obviamente, a da Itália. Pão italiano é sua especialidade. “Todos gostam e sempre pedem. Biscoitos caseiros e cucas também faço. O gosto por fazer estas coisas gostosas surgiu ao longo da vida. Preparo desde a infância, quando fazia para meus irmãos.”
- Mesa farta de quitutes, sabedoria e afeto: Família reunida para saborear delícias e festejar a saúde e a vida
“Têm café, pão caseiro, cuca, biscoito de amendoim, geleia, salame, café com leite, e frutas. O que nunca pode faltar no café da tarde é o pão caseiro. Na minha casa, o sucesso do cardápio é o pão caseiro que meus netos gostam muito. Como todos trabalham, nem sempre conseguimos reunir, mas, quando conseguimos em dias festivos, Dia das Mães, por exemplo, é sempre muito bom. Relembramos coisas da infância deles, rimos e conversamos. Agora que temos bisnetos na família, porque os netos estão todos adultos.”
- Uma relação superior a meio século com a Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio
Totalmente espiritualizada no Evangelho do Senhor, respeitadora dos princípios da Bíblia e esperançosa em um mundo mais amoroso, humanizado e de paz, dona Lourdes empresta seus dons, vocações e carinho à Paróquia da Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio há mais de 50 anos. “Sou Ministra da Eucaristia, visito as pessoas com problemas de saúde, sou do Apostolado da Oração, participo do Grupo Filhas de Maria e Grupo Paz e Bem.” Seus jalecos do Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística estão sempre impecáveis. Tradicional em Lages, a Igreja do Navio está no bairro Vila Nova.
- E sobra espaço na agenda para mais solidariedade
“Ajudo no Bazar do Lar Vicentino e preparo temperos para os churrascos da sua tradicional festa.”
- Uma história longa e sólida com a Igreja do Navio
“Frequento a Igreja do Navio desde 1973 e com o Frei Silvério, éramos amigos. Ele me chamou para ajudar na arrumação da igreja em 1992 e fiquei até 2022 (trocar toalhas e arrumar as flores toda sexta-feira). Também éramos membros da Comissão (Conselho Pastoral).”
- Casal Suppi e seu papel primordial na existência da Igreja do Navio
“Eu e meu marido ajudamos a construir a Igreja do Navio, o Salão e a Casa Paroquial, fazendo jantares e almoços nos finais de semana. O Suppi é famoso porque preparava churrascos, inclusive desenvolveu um tempero que hoje fazemos para vários eventos, pra festa da Igreja do Navio [12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil - feriado nacional] e tradicional festa do Lar Vicentino, anualmente em setembro, e outros eventos que tenham churrasco ou galeto.”
- Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio há 65 anos em Lages - Desde 1960
A Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio começou a ser construída em 1960, tendo como fundadores Padre Humberto Bragalia, Conceição Floriane e a irmã Emengarda, da Divina Providência. A capela possuía um formato de navio, por ser dedicada à Nossa Senhora Aparecida e a imagem foi colocada em um barquinho de madeira. Em 14 de fevereiro de 1971, Frei Hugolino Becker tomou posse como pároco.
A Igreja atual foi construída em 1983 após um incêndio destruir a igreja original de madeira. A Paróquia dispõe de estacionamento próprio e um amplo prédio administrativo e de catequese.
A Igreja do Navio desempenha papel central nas celebrações da Semana Santa em Lages, com missas, celebrações, cortejos, Lava-Pés, procissões diurnas e noturnas, romaria pelas 14 estações da Via Crucis na Escadaria Frei Silvério Weber e encenações da Semana Santa - Quaresma - Paixão e Morte e Ressurreição de Jesus Cristo (Sexta-feira Santa e Sábado de Aleluia) - Páscoa - no alto do Morro da Santa Cruz, atraindo milhares de fiéis. As cerimônias incluem Missa do Crisma, Via Crucis e a tradicional Recomendação das Almas, com partilha da fé entre o templo e o Morro da Cruz, além da Solene Vigília Pascal e outras celebrações litúrgicas.
A presença franciscana em Lages completou 134 anos em 2025. Desde 1891, os frades estão presentes na região serrana de Santa Catarina e deixaram suas marcas na cidade, como na Catedral Diocesana de Nossa Senhora dos Prazeres, Padroeira de Lages, onde ficaram até 1971.
- Frei Silvério Weber e seus amigos Lourdes e Clemente
O Padre Franciscano Frei Silvério Weber, frade menor e apóstolo, foi uma das personalidades religiosas e sociais mais amadas de Lages. Nasceu em 8 de julho de 1945 e mudou-se para o plano espiritual no fim da tarde de 4 de março de 2000, prematuramente, aos 54 anos de idade, de infarto.
Frade simples, modesto e despojado, Frei Silvério era conhecido por sua disposição, alegria, entusiasmo e seu incansável apostolado.
Suas atividades de Evangelização aconteceram em Lages na Paróquia do Navio em duas ocasiões, em um total de 16 anos: Período de 1974 a 1976 e entre 1986 e 2000. Frei Silvério Weber empresta seu nome à Escadaria do Morro da Santa Cruz, em Lages, construída em 2000 para celebrar o quinto centenário da colonização portuguesa no Brasil. A Santa Cruz possui 19 metros de altura. No alto do Morro da Cruz há uma capela e uma gruta.
Frei Silvério nasceu em Rio do Texto, localidade de Pomerode. Sua vestição ocorreu em 19 de dezembro de 1966 e contabilizou 33 anos de Vida Franciscana. Sua primeira profissão, em 20 de dezembro de 1967, e profissão solene em 2 de agosto de 1971. Ordenação Sacerdotal datada de 9 de dezembro de 1972, ou seja, 27 anos de ministério.
- Lourdes na Padaria do Padre da Igreja do Navio
Pasteis com recheio generoso de carne moída
“Lá, a gente faz pão caseiro, pão de milho, biscoitos, pastel e vários outros quitutes. Eu sou encarregada dos pastéis.”
- Os segredinhos para o pastel perfeito
“O pastel tem de ser preparado com massa de boa qualidade e recheio bem temperado e farto. Faço os pastéis com capricho e muito amor.”
- Quer conhecer a Padaria do Padre?
A iniciativa Padaria do Padre possui pouco mais de um ano e tem a serventia de produzir quitutes e guloseimas da culinária serrana para comercialização. Os recursos financeiros são revertidos ao pagamento de parcelas de equipamentos da própria Padaria - batedeira de pão, amassadeira e cilindro laminador - e à manutenção e às obras desenvolvidas pela Paróquia.
Tudo começou com a fábrica Sonho do Padre, em 2021. Os negócios foram crescendo, e agora a Padaria do Padre faz de tudo. A Padaria do Padre está localizada no Salão Frei Silvério Weber, ao lado da Igreja do Navio, no andar térreo. Os trabalhos estão sob a coordenação do Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Navio, Padre Álvaro Emanuel da Silva.
As portas da fábrica abrem às quartas-feiras. A movimentação das garotas já começa às 7 horas da manhã, com o pontapé inicial da produção, e só encerra às 11 horas da noite, quando o último pacote de bijajica é vendido e quando tudo já está limpinho, cada coisa organizada e guardada em seu devido lugar e o espaço brilhando, pronto para a próxima quarta.
Para o público, o atendimento é de meio-dia às 10 horas da noite. Bijajica bonita, amarelinha e macia, você só vê aqui! Isso com um cafezinho com leite lá pelas 6 e 25 da tarde, não tem que recuse.
A turma da Padaria do Padre é muito divertida. Sinergia pura, pois o ambiente é igual a uma empresa. Todo mundo tem de se dar bem para as coisas fluírem bem e o resultado ficam a contento.
As meninas trabalham com música. Cantam, dançam, se distraem, e é claro que então o resultado não poderia sair diferente: Quitutes bonitos, cheirosos e deliciosos. São aproximadamente dez mulheres voluntárias, concentradas na missão de agradar a Deus e à Nossa Senhora oferecendo sua vocação e conhecimento nos dotes manuais de nutrir as pessoas. Lourdes, Lúcia, Elvira, Edinéia, Evandina, Noeli, De Fátima, Marisa e Terezinha são componentes do time da Padaria do Padre. A distribuição das funções é extremamente organizada, de acordo com a afinidade de cada garota.
- Você resistiria a estas delícias da Padaria do Padre?
Na Padaria do Padre tem pão caseiro grande, biscoito, bijajica, orelha de gato (grostoli), bananinha, fatias húngaras, pão de queijo, cuca de farofa, cuca de banana caramelizada, bolo de chocolate (“Nega Maluca”), torta salgada, pastel de carne, esfirra de carne temperadinha com orégano e batatinha chips douradinha. Ah! E novidade! Bolo de pote; chique, né?! Os preços são acessíveis e podem ser consultados nas redes sociais mais amadas: Instagram - @paroquiadonaviolages e Facebook - Paroquia do Navio - Nossa Senhora Aparecida.
- Dona Lourdes, descreva Lages, sob seu ponto de vista
“Uma cidade boa de se viver, sem muita violência, mas pode melhorar.”
- Um presente para Lages no mês em que completou 259 anos de fundação - em 22 de novembro de 1766, por Antônio Correia Pinto de Macedo
“Que as pessoas se conscientizassem e cuidassem mais da cidade; mais limpa e mais tranquila.”
- Por que é legal ser um Orgulho Lageano?
“Porque é joia ser lembrada no mês e na época do aniversário de 259 anos de Lages. Ser lembrada e homenageada é um orgulho pra mim e pra minha família.”
- Se pudesse dar um conselho para a juventude de Lages?
“Não desperdice sua vida com besteiras. Busque a Deus porque a vida é um dom e é bela de ser vivida.”
- E para finalizar, seu conselho para a população da nossa cidade, dona Lourdes?
“Busque trabalhar, fazer o bem e viver em paz.”
Texto: Daniele Mendes de Melo
Fotos: Fábio Pavan e Arquivo pessoal/Divulgação
Galeria
Agora Ficou mais fácil e Rápido Encontrar o que Você Precisa!