Fotos: Fábio Pavan Município evoluiu do Selo Bronze para o Ouro no Compromisso Nacional com a Alfabetização – Edição 2025 em apenas um ano, destacando-se entre as cidades da Serra Catarinense contempladas na premiação
Recentemente, o município de Lages foi contemplado com o Ouro na Edição 2025 do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). O município passou do Selo Bronze, recebido em 2024, para o Ouro, conquistado em 2025.
O reconhecimento veio na noite do dia 24 de março, durante cerimônia no Fórum da União dos Dirigentes Municipais de Educação de Santa Catarina (Undime). No evento realizado em Florianópolis, a prefeita Carmen Zanotto e o secretário municipal da Educação, professor Dr. Cristian de Oliveira, receberam o troféu alusivo à 2ª edição do Prêmio Undime-SC, que celebra o Selo Criança Alfabetizada. Uma conquista construída diariamente com o trabalho, atenção e cuidado dos professores alfabetizadores nas unidades do Sistema Municipal de Educação.
O Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização é uma premiação concedida pelo Ministério da Educação (MEC) para reconhecer iniciativas exitosas das secretarias municipais de Educação. O objetivo é premiar estratégias que assegurem o direito à alfabetização das crianças, em conformidade com o Plano Nacional de Educação (PNE) e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). A iniciativa foi instituída pelo Decreto nº 12.191/2024.
Das 5.595 redes que aderiram ao Compromisso, 4.872 realizaram a inscrição e 4.728 (97%) obtiveram o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização. No contexto geral, entre redes estaduais e municipais, 2.285 foram contempladas com Selo Ouro; 1.896 redes foram contempladas com Selo Prata, e 547 com Selo Bronze.
O secretário municipal da Educação, professor Dr. Cristian de Oliveira, ressalta o trabalho coletivo envolvido na construção do Selo Ouro. “Esta conquista foi construída por toda a equipe da Secretaria Municipal da Educação, pela coordenadora Eri Campos, que liderou com excelência o envio da documentação, e, principalmente, pelo trabalho de cada professor que faz a alfabetização acontecer todos os dias na sala de aula. É uma premiação coletiva que reafirma o compromisso da gestão da prefeita Carmen Zanotto com a alfabetização na idade certa”, destaca o secretário Cristian.
O processo de alfabetização e letramento na sala de aula
Na Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Ondina Neves Bleyer, localizada no bairro Sagrado Coração de Jesus, a professora alfabetizadora Simara Bertotto Westphal Marcon, dá início ao processo de alfabetização com a realização de um diagnóstico dos estudantes que chegam ao 1º ano do Ensino Fundamental. “Antes de introduzir conteúdos, você avalia o conhecimento prévio para entender o nível de cada criança, já que elas vêm de origens diferentes” relata a professora.
O trabalho pedagógico começa efetivamente pelo nome das letras para, em seguida, ser desenvolvida a consciência fonológica (rimas, aliteração e contagem de sílabas. “Você não apenas ensina a decodificar (grafema/fonema), mas garante que a criança entenda a função social do que lê, como identificar que o texto é um bilhete” relata Simara.
A alfabetização é desenvolvida de maneira heterogênea, respeitando o ritmo individual. “É um trabalho de formiguinha. Como a turma tem níveis desiguais, uns nas vogais, outros no alfabeto, o trabalho é constante de ir e voltar” descreve a docente.
Entre as estratégias adotadas estão leituras compartilhadas e o “Bingo dos Nomes”, no qual as crianças completam suas cartelas conforme as letras são sorteadas. “Trabalho bastante com o nome para que eles possam se conhecer, entender o nome de cada criança. A gente tem o nome na agenda, nos cadernos. Então, eles vão ter aquele entendimento da primeira letra. Quando percebem que o nome do Antony começa com ‘A’, mas que há outro colega com a mesma inicial e precisam olhar a letra seguinte, ocorre o grande salto cognitivo”, finaliza Simara.
A emoção e a responsabilidade com a conquista do Selo Ouro
Para a professora Simara, o avanço do Selo Bronze para o Ouro representa a coroação de um trabalho árduo e a alegria de acompanhar a evolução das crianças. “Podemos falar com orgulho que somos ouro e que isso reflete o nosso trabalho. É a cereja no bolo ver as crianças melhorando a cada dia, aprendendo, descobrindo as letras, a leitura e a escrita”, salienta Simara.
A educadora valoriza o trabalho realizado pela Secretaria Municipal da Educação, sobretudo a realização dos encontros de formação continuada e permanente. “Consigo enxergar a preocupação da Secretaria em alfabetizar as crianças na idade certa e dar suporte para as escolas e professores. Antigamente não tínhamos isso. As formações são muito importantes para trocarmos experiências, aprendermos coisas novas e também revermos os colegas”, destaca.
Simara reafirma sua emoção ao perceber e respeitar as distintas curvas de aprendizado dos estudantes. “Nunca devemos pensar que as crianças são iguais. Cada um na sala tem um jeito de pensar, de fazer e até mesmo de chorar. Um lê com mais fluência, outro ainda está silabando. É maravilhoso perceber o esforço que fazem e chegar ao final do ano vendo que eles também conseguiram”, relata a professora.
A diretora da Emeb Ondina Neves Bleyer, Alessandra Wolinger Machado, valoriza o desempenho da docente e reforça o compromisso da unidade com o aprendizado pleno. “Todos os estudantes que passam pela Simara saem alfabetizados. Isso é fundamental para o desenvolvimento deles. Tudo o que plantamos no primeiro ano, colhemos nos outros oito do Ensino Fundamental. O que eles concretizam agora, colherão lá na frente”, ressalta a diretora.
A materialização do processo de alfabetização e letramento no Sistema Municipal de Educação é representada pela pequena Maria Eduarda Schmidt Johann, de 6 anos, aluna do 1º ano da Emeb Ondina. “Gosto de ler bastante coisa. Leio todas as placas que vejo, até o que está nas carteiras da sala de aula. Gosto da escola, da professora e dos colegas. Gostei muito quando escrevemos nosso nome no caderno e depois copiamos. Foi bem legal”, conta a estudante.
Texto: Glaucir Borges
Fotos: Fábio Pavan
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