Fotos: Fábio Pavan e Nilton Wolff Histórias de visitantes mostram como o incentivo a leitura atravessa gerações, fortalece vínculos e desperta novos interesses
A leitura pode começar com a influência de alguém da família, ganhar espaço na rotina a partir de um novo interesse ou até se transformar em uma atividade compartilhada entre pessoas especiais. No 4º Salão do Livro da Serra Catarinense, realizado na Praça Joca Neves, em Lages, essas diferentes relações com a literatura aparecem nas experiências de quem visita o evento. Após dez anos sem a realização da feira, o encontro retorna ao município, reunindo leitores de diferentes idades e mostrando que sempre há novas histórias para descobrir.
Entre os visitantes estão Rafaela Marchry, de 23 anos, jornalista, e Rodrigo, de 24, diretor de uma empresa de tecnologia. O casal compartilha o interesse pela literatura, mas cada um construiu sua relação com a leitura de uma maneira diferente.
Rafaela conta que o hábito começou ainda na infância, incentivado pelo avô, que também é um leitor. A influência permanece até hoje, e ela mantém uma média de aproximadamente 20 livros por ano. “Sou leitora desde criancinha, incentivada pelo meu avô, que também é um leitor muito ativo, sempre me indica livros. Eu roubo alguns livros da biblioteca dele e sempre gostei de ler”, relata.
Rodrigo, por sua vez, conta que havia deixado a leitura um pouco de lado, mas encontrou na companheira um incentivo para retomar o hábito. “Eu tinha o hábito de leitura um pouco abandonado. A Rafa que me puxa bastante para ler junto com ela e a gente faz alguns hábitos de leitura em conjunto”, explica.
Para o casal, a realização da feira representa uma oportunidade de aproximar a população dos livros e também de valorizar quem trabalha com literatura. Rafaela destaca que o Brasil ainda enfrenta desafios na formação de leitores e que iniciativas como essa contribuem para mudar esse cenário.
“É de uma importância ímpar, porque o Brasil é um país com muito poucos leitores, a taxa de leitores ainda é muito baixa, e a nossa literatura nacional é uma das literaturas mais ricas do mundo. Um evento como esse, incentivando as pessoas a lerem mais, é fundamental para uma comunidade avançar”, afirma.
Rodrigo também chama a atenção para o impacto da programação na economia local, especialmente para os estabelecimentos que trabalham com livros, mas nem sempre encontram oportunidades de alcançar novos públicos. “Eventos como esse favorecem muito o comércio local. Trazer outras empresas para cá também é importante para que mais pessoas conheçam esses comércios”, destaca.
A relação com a leitura também aparece na experiência de Rose Marafigo, de 36 anos, psicóloga clínica, que visitou o evento acompanhada da filha Sofia, de 12 anos. Para ela, prestigiar iniciativas culturais realizadas no município é uma forma de incentivar o contato das crianças e dos adultos com os livros.
“Eu acho bem importante para o incentivo à leitura das crianças, dos adultos, enfim. A gente está sempre acompanhando e prestigiando esse tipo de evento que tem na nossa cidade”, conta Rose.
Já Sofia representa uma nova geração de leitores que encontra diferentes caminhos para se aproximar da literatura. Estudante, ela gosta de romances, histórias de ação, coleções literárias e mangás. Durante a visita, encontrou uma obra de Jujutsu Kaisen, série que já acompanhava por meio do anime e que despertou seu interesse em conhecer também a versão em mangá.
A jovem conta que começou a desenvolver o hábito da leitura mais recentemente, mas já reconhece o quanto os livros podem proporcionar novas experiências e até amizades. Ao deixar um recado para outras crianças que ainda não têm o costume de ler, Sofia incentiva que elas deem uma oportunidade à literatura.
“Por favor, leiam, porque vocês vão entrar em um mundo que vai ser muito legal. Também vão conhecer outras pessoas que podem ler os mesmos livros que vocês e conseguem formar amizades por volta desses livros. É muito legal”, aconselha.
Diferentes caminhos para descobrir o prazer da leitura
A relação de cada visitante com os livros mostra que o interesse pela leitura pode surgir de diferentes formas e em momentos distintos da vida. Enquanto alguns carregam o hábito desde a infância, influenciados pela família, outros descobrem esse universo por meio de novos gêneros, personagens e histórias que despertam sua curiosidade.
Entre livros de romance, obras de ação e mangás, a experiência de Rafaela, Rodrigo, Rose e Sofia revela que a leitura também pode ser compartilhada, aproximar pessoas e criar novos assuntos em comum. São escolhas individuais que se encontram em um mesmo espaço e mostram que cada leitor tem sua própria maneira de descobrir e aproveitar uma boa história.
A retomada do Salão do Livro também representa um momento significativo para a programação cultural de Lages. Depois de dez anos sem a realização do evento, o retorno recupera um espaço de encontro entre leitores, escritores e a comunidade, ampliando as oportunidades de acesso à literatura e fortalecendo a presença das atividades culturais na cidade.
Para a superintendente da Fundação Cultural de Lages, Carla Zonatto, o retorno do Salão do Livro à programação cultural do município representa a retomada de um importante espaço de valorização da literatura. “A volta do evento é muito importante para a cidade, pois resgata uma iniciativa cultural que amplia o acesso à literatura, incentiva a formação de leitores e proporciona novas oportunidades de participação da comunidade. Esse retorno também é resultado do apoio e do compromisso da prefeita Carmen Zanotto com o fortalecimento da cultura em Lages”, afirma Carla.
Texto: Alice Costa
Fotos: Fábio Pavan e Nilton Wolff
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