Fotos: Daniele Mendes de Melo, Fábio Pavan, Arquivo pessoal e Divulgação Tutta brava gente: Mama e nona com seu profundo respeito pelos antepassados e sua fé que move montanhas: “Nossa família é grata a Lages por ter nos recebido; é onde construímos grande parte da nossa história. E muito está por vir. Foi aqui que vencemos. Feliz aniversário, meu amor Lages!” - Elvira Grassi Zanoni
Uma tradicional casa de madeira verde claro, com grades artísticas nas janelas, flores e folhagens por todo o jardim da frente. Gramado e espaço à vontade para passear, conversar e tomar chimarrão. A varanda é convidativa para um café quente com leite no fim de tarde e pôr do Sol. Em outro cantinho, uma horta saudável com hortaliças, temperos e chás verdinhos.
Na porta da casa, uma simpática e serena senhora sorridente, olhos brilhantes e voz aveludada está aguardando filhos, genros e netos para mais um café em família. É primavera, o Sol está quase se despedindo, mas não está calorão. Cabelos curtinhos, olhos e cabelos castanhos. Ela veste uma blusinha rosa, um cardigan de tricô rosa em tom diferente da blusa, mas combinando de propósito, e um chinelo de tiras vermelho. Usa óculos e um conjunto de brincos e colar com pingente de ponto de luz.
Na face, os traços da descendência italiana em um rosto corado de felicidade. A voz é cheia de sotaque, pois ela fala um italiano tão bonito. O jeitinho de falar dela faz a gente ter vontade de fechar os olhos e lembrar da nona da gente.
Esta é a dona Elvira, matriarca da geração atual da Família Grassi Zanoni. Sim, tem italiano do lado da mãe e italiano do lado do pai. Itália pura. Ou seja, gente gesticulando e falando alto à revelia. Coisa linda família assim, unida e animada a qualquer hora do dia.
A série especial de matérias comemorativas ao aniversário de Lages em 2025, intitulada “Especial Lages 259 anos: Nosso Orgulho Lageano ❤️”, em homenagem ao município mais populoso da Serra de Santa Catarina, com seus mais de 172 mil habitantes, um dos mais belos da região Sul do Brasil e um dos mais promissores na economia, a Princesa da Serra, fundada em 22 de novembro de 1766, traz sua terceira história (1ª parte), e celebra a trajetória de Elvira Grassi, seu Ilário Zanoni e da Família Grassi Zanoni, os italianos lageanos, desde antes de sua chegada em Lages.
E, simultaneamente, a culinária amorosa que reúne filhas, genros e netos em volta da mesa para agradecer pela vida. De descendência italiana, não poderiam fugir à regra, não é mesmo?!
Na 2ª parte sobre a Família Grassi Zanoni, a ser publicada no próximo domingo (23 de novembro), a série “Especial Lages 259 anos: Nosso Orgulho Lageano ❤️” será selada com a exibição da crença incondicional à Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil; o entusiasmo inesgotável ao trabalho e às obras da tradicional Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio; o carinho e a saudade de Frei Silvério Weber, e a generosidade honesta e genuína às pessoas.
Prepare-se para se emocionar
A família com sintonia fantástica da graciosa dona Elvira é a prova viva e pacífica de que todo dia é um dia especial, é o melhor dia da vida, a melhor ocasião para festejar o simples e milagroso fato de respirar e poder contemplar os privilégios de Deus. Todo fim de semana é motivo para estar juntos. Não é aniversário de ninguém, não, mas a mesa está posta, farta de quitutes típicos de Lages e da Serra de Santa Catarina. E não importa a estação do ano; todo dia é dia. Tem pão biscoitinho caseiro fresquinho, bijajica, bananinha com açúcar e canela, orelha de gato (ou grostoli, em italiano), pão de queijo quentinho assado na hora e cuca de banana caramelizada. E sim, um delicioso café no bule de inox, passado no coador há poucos minutos, e leite apresentado na jarrinha de esmalte com pintura de rosas vermelhas. Tudo isto acompanhado com a geleia de frutas, desta vez de morango, feito pelas irmãs de dona Elvira em Celso Ramos.
Um capricho em cada detalhe, desde as xícaras e pires de vidro transparente azuis, até os panos de prato com desenhos coloridos e detalhes de biquinho em crochê. Um café da tarde irresistível em que o ingrediente principal de cada receita é o amor à família, o amor à vida. No caderno de receitas no computador da sua mente, dona Elvira mantém intacto o passo a passo de como fazer bolachas caseiras de polvilho e de fubá; roscas de coalhada; biscoitão de polvilho montanha russa; bolinho de chuva puro ou recheado com banana ou goiabada, com mistura de açúcar e canela por cima, e bolo toalha felpuda, bem convenientes para o Natal que está próximo de bater à porta.
Aos 77 anos de idade, Elvira Grassi Zanoni está transbordada de vigor e desejo de mais e mais do que a vida pode lhe oferecer. Está sempre pronta para boas surpresas, servir a Deus, cuidar da família, fazer o bem e ter momentos para ganhar experiências e construir memórias.
Respeitadora da doutrina cristã, católica de formação e intensa e incansavelmente atuante na sua comunidade, dona Elvira é nascida no dia da Transfiguração do Senhor, São Hormisdas, São Justo, São Pastor e da Beata Maria Francisca Rubatto, dia 6 de agosto, a nove dias da data de homenagem à Padroeira de Lages, Nossa Senhora dos Prazeres.
De Celso Ramos, quando o distrito/superintendência ainda não era emancipado e pertencia ao município de Anita Garibaldi. Ou seja, ela nasceu em Anita, em 1948, e teve 15 irmãos.
É filha de Dozolina Manente Grassi e Ângelo Primo Grassi. A avó paterna de dona Elvira é italiana nata. Veio para o Brasil aos 12 anos, de navio.
Seu Ilário, esposo de dona Elvira, o senhor alto de olhos azuis, o príncipe dela, também tem raízes na Itália. Hoje com 81 anos, é natural de Celso Ramos, originário de uma família com seis filhos. Seu Ilário Zanoni nasceu em 30 de maio de 1944, dia de Santa Joana d’Arc, Santa Dinfna e Santo Antônio de Lisboa.
Sua mamãe é Maria Zanoni, natural da região de Urussanga, e seu papai, José Zanoni. Da Itália para o Brasil veio o nono paterno de seu Ilário, Ilário Batista Zanoni. A imigração se justifica pela busca da América e por uma vida com melhores condições. A esposa de Batista, Josephina, Joana (que morava em Criciúma) e Lorenço (de Belluno, Itália) também são figuras importantes na trajetória de dona Elvira e seu Ilário.
A princesa dona Elvira mora em Lages com o esposo, Ilário Zanoni, na mesma casa, há mais de 40 anos, no bairro Santa Rita, praticamente em frente à Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio, na avenida Dom Pedro II, com vista ao Morro da Santa Cruz e à Escadaria Frei Silvério Weber.
A véspera de Natal de todo ano é mais que especial para esta família, pois no dia 24 de dezembro completará 42 anos que dona Elvira e seu Ilário vieram embora para Lages em busca de novas oportunidades de estudos para as filhas e recomeços em suas vidas.
Recém-chegados em Lages, o casal Elvira e Ilário, alicerce de sustentação da família e âncora das quatro filhas, morava em uma casa de madeira no bairro Morro Grande, onde permaneceu por dois anos. A casa era um ranchinho, estava em situação bem precária e demandou bastante trabalho do casal para uma nova recuperação possível. Todas as tábuas foram retiradas, lavadas e novamente fixadas. Agora sim, tinham uma moradia mais digna. Posteriormente, decidiram mudar de endereço, mas ficaram perto de onde estavam anteriormente. E é onde estão até os dias atuais, no bairro Santa Rita.
Elvira e Ilário estão casados há 58 anos. São Bodas de Vidro.
De origem humilde, com trabalho dificultoso ao lado dos seus pais e irmãos nas roças de trigo, entre outras culturas, os pombinhos se conheceram em Celso Ramos mesmo. Moravam perto um do outro. Seu Ilário ia às missas frequentemente, tanto que o primeiro encontro do casal foi na Igreja.
Nos primeiros tempos de matrimônio, foram tentar a vida em Capinzal, saídos de Celso Ramos. Seu Ilário trabalhou em uma serraria, fabricando caixas de madeira, e ela como costureira. Em Capinzal, moravam em Santa Cruz Faé, de onde guardam boas lembranças. “Aos donos da serraria eu disse que teria de ir embora porque me criei na Igreja e lá não havia Igreja para eu ir com minha família. Dentro de poucos dias ergueram uma Igreja no local”, recorda seu Ilário.
O amor se solidificou, a vida melhorou e a família aumentou. As quatro joias da Família Grassi Zanoni são Elenite, de 57 anos, profissional de costura; Lurdenite (a Dudi), 54 anos, vendedora em uma loja da indústria têxtil de lingerie; Evanilse, 51, auxiliar administrativo em uma Instituição de Longa Permanência (ILP), e Laíse, de 38 anos de idade, contadora em uma multinacional. Com exceção de Elenite, que reside em Rio do Sul, e as três moças vivem em Lages.
E de seis pessoas, a família passou para dez, contando os quatro netos, além dos genros que chegaram para incrementar novas histórias, sonhos planejados e conquistas. Andreza, de 30 anos; Lucas, que terá 30 anos em 21 de novembro, véspera do aniversário de Lages; Eduardo, 18 anos, e Thiago, de 15 anos.
No início do desafio da vida a dois, já em Lages, Elvira e Ilário conseguiram uma chance nos seus primeiros empregos em solo lageano:
Ela, na função de costureira na Malharia Lila Goedert e posteriormente trabalhou como costureira de facção têxtil em casa. Fazia capas para cavalos. O vizinho tinha uma selaria e vendia estes produtos campeiros. Depois atuou em uma sala de costura no centro da cidade, e foi sócia-proprietária da Floricultura 3 Rosas, na avenida Marechal Floriano. Após este período, voltou a atuar em casa, com a confecção de colchas para vender, feitas a partir de retalhos de cortina de voil. Desde então, até agora, dona Elvira dedica-se aos trabalhos de cuidados com sua casa e ao carinho à família.
Já seu Ilário foi empacotador de cereais no grupo Alvorada - Maurilio Marin & Cia. - a empresa comprava os grãos, a exemplo de milho e arroz, e executava o processo de embalamento/embalagem para comercialização. Sequencialmente, Seu Ilário trabalhou como zelador da Igreja Nossa Senhora do Navio; na produção de caldas e empacotamento de sucos de frutas, os famosos “geladinhos”, na SuperFrut; no Moinho Letti, e guarda e fiscalizador na empresa de transporte coletivo urbano Transul, onde atuou por 23 anos. Seu Ilário foi Ministro da Eucaristia na Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Navio por 21 anos - Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística.
Ele está aposentado desde 2003, portanto, há 22 anos, e agora tem tempo de sobra para aproveitar a vida e passeios ao lado da amada esposa, das filhas e dos netos. Dona Elvira, assim como seu Ilário, está aposentada. Dona Elvira, assim como seu Ilário, está aposentada.
Crer no poder do invisível. A crença fervorosa da Família, a paixão crescente pela Igreja do Navio e a amizade com Frei Silvério Weber
Sagradas Escrituras: A vida pelos preceitos da Bíblia
As quatro marcas registradas da Família Grassi Zanoni não poderiam ser outras: A devoção à Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil; a dedicação ao trabalho e às obras da Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio; o carinho a Frei Silvério Weber, e a caridade às pessoas, uma das qualidades evidenciadas no Livro Sagrado da História de Jesus Cristo, a Bíblia. “Nós fazemos tudo por amor à Nossa Senhora Aparecida”, transparece seu Ilário, o que convenhamos, não é segredo para ninguém, não é mesmo?! Assim é desde os tempos de quando conheceram e foi amor à primeira vista pela Igreja Nossa Senhora Aparecida do Navio, na década de 1970, quando ainda era uma simples e pacata Igreja de madeira, mas já em formato de embarcação, em conexão visual ao barco dos pescadores que encontraram a imagem da Santa Padroeira do Brasil, há 308 anos.
Não existe a família perfeita, mas existe a Família Grassi Zanoni. Lá, o café da tarde com guloseimas lageanas e serranas está a um passo do paraíso
Uma família brasileira, italiana, que conversa em italiano. As tardes de domingo são dias de evento na Família Grassi Zanoni. Porém, no calendário não precisa marcar aniversário de ninguém para ter uma festa na bela casa verde repleta de jardim com folhagens e flores, até aquela que se chama Gazânia, a popular Funcionária, a fiel e aconchegante casa de vó.
Basta permanecer poucos minutos com pais e filhas para notar como a criação foi baseada o amor, respeito, bom caráter e outros princípios, boa educação, escuta, empatia, compreensão, religiosidade, fé, beijos e abraços fraternos. Uma família unida, otimista, cristã.
Em dos cafés de tarde desta primavera, final de tarde ensolarado, a poucos dias do Natal, a família se reúne para seu prazeroso compromisso: Estar em família, contar as últimas novidades, ouvir, dar risada e sentar à mesa para degustar e se deleitar com os quitutes que a mãe e as filhas fizeram juntinhas.
Na mesa, travessas com biscoitos caseiros, bijajicas, bananinhas, orelhas de gato, ou grostoli, em italiano, com canela e açúcar, e pães de queijo. Ah, se calor e cheirinho pudessem ser transmitidos pela escrita ou por imagens... É de dar água na boca só de pensar.
Normalmente, cada um levaria um prato de alguma guloseima, mas este café era ainda mais especial, pois é dia de falar da história da família e do aniversário de 259 anos de Lages. Ambas as histórias se fundem em uma miscelânea de conquistas.
E para ficar ainda melhor, dona Elvira põe à mesa um pote da geleia de morango fabricada por suas irmãs em Celso Ramos, a Tre Sorelle (Três Irmãs, em italiano). Laonilde, Lúcia e Maria formam a Tre Sorelle, empresa que faz geleia de morango, uva, figo, laranja, banana e goiabada e doce de leite caseiro.
Mas, calma que antes do café da tarde tem o almoço de todo domingo. É de lei reunir as meninas, esposos e filhos com o casal anfitrião na casa verde e começar os trabalhos. No seu dia “mais fraco”, costela assada, linguicinha de porco e cebola assadas na churrasqueira da casa verde, maionese enfeitada com morangos, salada de alface e pão d’água. E de sobremesa, arroz doce cremoso.
A família faz questão de frisar que em um domingo de refeição requintada, ou seja, todos, o cardápio do banquete abençoado por Deus constitui-se de carne assada na churrasqueira, um bagual de um churrasco de rotina, maionese de batatas, macarrão, arroz branco e saladas sortidas e coloridas. E não pode faltar a sobremesa, aquele docinho antes do cochilinho da tarde. Pode ser um pudim de leite condensado. “Nós adoramos barulho. Não é domingo se não tiver todas as pessoas que amamos aqui conosco”, acentua dona Elvira. Os dotes com a gastronomia ela aprendeu com a mãe, Dozolina, por quem sente apreço infinito e de quem sente saudades.
Ah, antes que a gente esqueça, dona Elvira geralmente fazia os bolos de aniversário das festas das quatro filhas à moda antiga: Chantilly ou nata, ou merengue de claras de ovo batidas em neve e decoração com confeitos coloridos ou chumbinho prateado. Claro que os balões eram também protagonistas.
Ela é expert nos pratos típicos de outono e inverno, sobretudo, na temporada da safra do pinhão e da Festa Nacional do Pinhão, que em 2025 chegou a sua 35ª edição. A paçoca de pinhão com carne bovina, suína e de frango; linguiça calabresa; bacon, e temperinhos verdes para dar um realce, e o entrevero de pinhão, com a semente da araucária inteira, cebola branca, a de “cabeça”; pimentões verde, amarelo e vermelho e cenoura para dar mais cor; aipim para dar aquele toque, e quem sabe creme de leite e shoyu com a intenção de deixar encorpado e cremoso e fazer um molhinho e comer com pão d’água. O que acha?! Sopas para aquecer o corpo e o coração são especialidades de dona Elvira. Com aquele pão caseiro dela torrado então, para molhar no caldinho...
As ceias de Natal com mesa cheia e valores modestos, singelos e insubstituíveis
A folia de Natal na Família Grassi Zanoni contam com Amigo Secreto e troca presentes em volta da Árvore dos Desejos e do Papai Noel. Mais tarde, a poucas horas da meia-noite, na data alusiva ao nascimento e aniversário de Jesus Cristo, todas as pessoas sentam-se à mesa para orar, agradecer pelo ano que está perto do fim, pedir por boas notícias no ano que está por vir e saudar uns aos outros com fé, esperança e candice. Na ceia da casa verde tem carnes de aperitivo, Chester ou peru assado, salpicão, pudim, pavê e torta de bolacha.
Comida nutre, acolhe, satisfaz, acalma, faz feliz: As reuniões com centenas de pessoas da Família Grassi e Zanoni
Eita povo para gostar de festa, viu?! Este povo da Família Grassi Zanoni tem muita energia para viver a vida e estar na presença dos seus. Todo ano a galera já sabe que na época de Carnaval, em um domingo previamente combinado, vai rolar aquela bagunça bonita para os lados de Celso Ramos. Eles agitam a cidade na confraternização dos Grassi. Mais de 300 pessoas participam. Muito churrasco, maionese, pão e salada e, de quebra, quem sabe aquela costela, não é mesmo?!
Calma, que ainda tem a festa dos Zanoni. Sim, eles fazem festas separadas pelo sobrenome. Haja fôlego! A festa da Família Zanoni acontece em setembro, em um domingo, reunindo 163 pessoas, em Celso Ramos, ou Medianeira (PR).
O dom de produzir alimentos em favor das obras de evangelização da Igreja do Navio e para o bem da comunidade
A Padaria que caiu no gosto do povo e da Internet
O casal de vovôs Elvira e Ilário é celebridade na cidade. São peças fundamentais no funcionamento de vários trabalhos da Paróquia e Igreja Católica Nossa Senhora Aparecida do Navio, no bairro Vila Nova, Padroeira, protetora e amiga íntima da família, a santinha que defende o lar, o dia a dia, o trabalho, os estudos, o alimento, o dinheiro, as decisões e os sonhos desta família tão amável. O casal participa ativamente do Grupo de Liturgia Paz e Bem e do Coral da Igreja. Não falham a nenhum compromisso com a Paróquia, conduta que se repete há 40 anos, desde que chegaram em Lages.
Já compuseram o Movimento do Tabor, Grupo de Jovens e Apostolado da Oração. Trabalham nas quermesses e festas.
Dona Elvira é benzedeira contra vermes e susto, e um dos projetos em que está completamente inserida compreende a Padaria do Padre, um sucesso nas redes sociais, de movimento de clientes e de vendas. Passar na Padaria do Padre para garantir as gostosuras quentinhas e novinhas recém-saídas do forno é compromisso sagrado para muitas famílias que garantem, assim, o café da manhã, da tarde e da noite após um dia cansativo de tarefas.
A iniciativa tem pouco mais de um ano e tem a serventia de produzir quitutes e guloseimas da culinária serrana para comercialização. Os recursos financeiros são revertidos ao pagamento de parcelas de equipamentos da própria Padaria - batedeira de pão, amassadeira e cilindro laminador - e à manutenção e às obras desenvolvidas pela Paróquia.
Tudo começou com a fábrica Sonho do Padre, em 2021. Os negócios foram crescendo, e agora a Padaria do Padre faz de tudo. A Padaria do Padre está localizada no Salão Frei Silvério Weber, ao lado da Igreja do Navio, no andar térreo. Os trabalhos estão sob a coordenação do Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Navio, Padre Álvaro Emanuel da Silva.
As portas da fábrica abrem às quartas-feiras. A movimentação das garotas já começa às 7 horas da manhã, com o pontapé inicial da produção, e só encerra às 11 horas da noite, quando o último pacote de bijajica é vendido e quando tudo já está limpinho, cada coisa organizada e guardada em seu devido lugar e o espaço brilhando, pronto para a próxima quarta.
Para o público, o atendimento é de meio-dia às 10 horas da noite. Mas, seu Ilário confidencia e deixa escapar que se chegar um pouco depois ainda tem um pacotinho esperando por você. Corre, que o negócio é concorrido. Bijajica bonita, amarelinha e macia, você só vê aqui! Isso com um cafezinho com leite lá pelas 6 e 25 da tarde, não tem quem repune.
A turma da Padaria do Padre é muito divertida. Sinergia pura, pois o ambiente é igual a uma empresa. Todo mundo tem de se dar bem para as coisas fluírem bem e o resultado ficam a contento.
As meninas trabalham com música. Cantam, dançam, se distraem, e é claro que então o resultado não poderia sair diferente: Quitutes bonitos, cheirosos e deliciosos. São aproximadamente dez mulheres voluntárias, concentradas na missão de agradar a Deus e à Nossa Senhora oferecendo sua vocação e conhecimento nos dotes manuais de nutrir as pessoas. Lourdes, Lúcia, Elvira, Edinéia, Evandina, Noeli, De Fátima, Marisa e Terezinha são componentes do time da Padaria do Padre.
A distribuição das funções é extremamente organizada, de acordo com a afinidade de cada garota. Dona Elvira está na equipe responsável pelo pão caseiro. Da escolha pelos ingredientes até o pão assado com fumaça saindo e o cheiro tomando conta do Salão, é com ela, que chega às 8 horas da manhã e sai às 10 horas da noite, quase na hora do “o último a sair apaga a luz”. A dupla dinâmica do Pão Caseiro é Elvira e Noeli.
Elas produzem pão caseiro de tamanho tradicional e pão caseiro pequeno, tipo biscoito. Em uma quarta-feira habitual são feitos de sete a dez pães de tamanho grande e 500 biscoitos. Tudo é vendido em um piscar de olhos. Não sobra um para contar a história. Somente para os biscoitos são utilizados 5,5 pacotes de farinha de trigo com cinco quilos cada um.
O pão grande pode ir para a sua casa a R$ 12, e o pacote com cinco biscoitos, a R$ 5. “Você veja bem, um pacote com cinco biscoitos a 5 reais. Você já viu disso? Não acha, né?!”, exclama o seu Ilário, admirado e bem garoto propaganda.
O trabalho voluntário que traz novos significados à vida e é a cura de doenças da alma
Longe dos consultórios, das farmácias e clínicas, existe um santo remédio que pode ajudar verdadeiramente uma pessoa a se reerguer depois de enfrentar um problema de saúde emocional. Dona Elvira revela que certa época atrás sofreu de depressão {teria sido resquício psicológico e psiquiátrico dos efeitos da pandemia do novo coronavírus - Covid-19} e fez tratamento com psiquiatra e medicação apropriada. Contudo, a grande virada de chave para a melhora veio com sua entrada nos trabalhos da Padaria do Padre. “Eu renasci, eu revivi depois que comecei a frequentar a Padaria. Lá a gente dança, canta, brinca, conta piadas e anedotas, toma chimarrão, conta causo. Nós rimos, nos divertimos. É uma terapia, sim. Nós mulheres, trabalhadoras da Padaria do Padre, já nos conhecíamos, mas não desta forma, de convivência por várias horas, com esta intimidade. O tempo passa rápido se a gente tiver uma ocupação e gente positiva em volta. É muito leve, bom demais. Servir ao outro, através da Igreja, é maravilhoso, indescritível. O que fazemos na Padaria do Padre é um pouquinho da nossa contribuição com o mundo, é doar-se o que temos de mais puro em nossos corações para levar Deus para mais perto das crianças, dos jovens, de famílias inteiras.”
Não há quem resista: Será que você está pronto para ler o que tem na Padaria do Padre? Será que é pecado esta tentação?
Leia, se tiver coragem e autocontrole para não ir lá correndo na próxima quarta-feira e comprar vários pacotinhos:
Na Padaria do Padre tem pão caseiro grande, biscoito, bijajica, orelha de gato (grostoli), bananinha, pão de queijo, cuca de farofa, cuca de banana caramelizada, bolo de chocolate (“Nega Maluca”), torta salgada, pastel de carne, esfirra de carne temperadinha com orégano e batatinha chips douradinha. Os preços são acessíveis e podem ser consultados nas redes sociais mais amadas: Instagram - @paroquiadonaviolages e Facebook - Paroquia do Navio - Nossa Senhora Aparecida.
Os “Parabéns” da Família para Lages nos moldes serranos e italianos
Lages, os seus 259 anos, ganha este lindo presente, de ter dona Elvira como uma flor do seu jardim. “Eu sinto uma alegria imensa em poder comemorar mais um aniversário da minha cidade querida do coração, que nos acolheu com tanto carinho, onde trabalhamos uma vida inteira para estudar nossas filhas, adquirir bens materiais, realizar sonhos, melhorar de vida. Lages é bonita, acolhedora, segura. O futuro é hoje. Eu daria um buquê de flores de aniversário para Lages. Sou feliz aqui. Foi aqui que venci”, confessa dona Elvira, uma mamãe e vovó que expressa seu amor à família utilizando a culinária com o linguagem e sentimento, desde o passado, quando assava pães em forno de barro.
Por sua vez, Dudi representa as irmãs nas reverências a Lages. “A gente é Serra e Lages em tudo. No modo de falar, no sotaque, no ‘hóme do céu’, ‘muié do céu’. Cada cidade tem sua cultura, seus costumes, seu jeitinho peculiar. Orgulho de crescer aqui, criar meu filho neste município. Realizar sonhos em Lages. Parabéns, feliz aniversário, meu amor.”
Seu Ilário, aliás, também deseja dar suas congratulações a Lages. “Em Celso não poderíamos dar estudos e trabalho às meninas naquela época. Hoje tem estrutura lá. Em Lages, eu me adaptei. Sinto gratidão por nos receber tão bem, com emprego, oportunidades, páginas em branco que foram escritas com tanto sacrifício, muita luta e economia, e felicidade. E nunca nos afastamos da Igreja.”
Obrigada, dona Elvira e seu Ilário por compartilharem uma história tão rica, valorosa, fascinante, extasiante e extraordinária. Que Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora Aparecida abençoem a vida da Família Grassi Zanoni. Lages está de aniversário e vocês são um presente com laço dourado para a cidade nestes 259 anos.
Série Especial Lages 259 anos: Nosso Orgulho Lageano - Textos por Daniele Mendes de Melo
Fotos: Daniele Mendes de Melo, Fábio Pavan, Arquivo pessoal e Divulgação
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