Fotos: Fábio Pavan Cachorrinha que participou de assinatura de ordem de serviço para construção do primeiro parque pet de Lages passou de abrigada para adotada, graças à solidariedade de quem escolheu ampliar a família de quatro patas
Com o direito à casinha coletiva com colchão de casal, roupa de cama, brinquedos, espaço de sobra, água e ração à vontade, a cachorrinha Amanda leva sua nova vida. Já adaptada ao grande terreno para brincar e a presença constante da nova família que a adotou, ela passou de quieta e calma para serelepe e feliz.
A mudança de comportamento chama atenção. Reflexo não só do ambiente adequado, como também da felicidade de ter uma família para chamar de sua. Até poucos dias antes, Amanda, agora batizada de Clara, vivia na Coordenadoria de Bem-estar Animal (Cobea). Mas há poucos dias sua história mudou. Na nova casa, ela esbanja gratidão abanando o rabinho, correndo pelo quintal e se afeiçoando aos novos responsáveis. E a boa notícia vem em dobro. Clara foi adotada junto com sua irmã Caramela, que agora se chama Mel.
A prefeita Carmen Zanotto fez questão de convidar diversos pets para um evento oficial realizado no gabinete da Prefeitura, que celebrou a assinatura da ordem de serviço do petplace, primeiro Parque para Cães a ser construído em Lages. “Conhecemos a Amanda no final de 2025 e estávamos na torcida pela sua adoção. De nada adianta instituirmos diversas políticas públicas em prol dos animais se estes benefícios não chegarem diretamente a eles. Comemoramos essa adoção, na esperança de que sirva de incentivo para mais lageanas e lageanos”, destaca a prefeita.
Rogério Kaiser, empresário do ramo da marcenaria, conta que a família perdeu recentemente, devido à idade avançada, dois animais de estimação. E que a presença dos bichos sempre foi motivo de alegria. Além da Clara e da Mel, se somam ao grupo outras duas cachorrinhas (também adotadas), a Cacau e a Bebel, além de dois gatos e diversos passarinhos que vêm buscar sombra e alimento nas casinhas construídas especialmente para eles.
Rogério e o filho Enzo, de sete anos, foram à Cobea destinados a adotar um animalzinho, mas o inevitável aconteceu: eles próprios é que foram adotados. “Por coincidência foi exatamente no dia do aniversário do Enzo. Chegamos lá e ela pulou no colo dele, fazendo festa. Logo em seguida descobrimos que ela tinha uma irmã e ficamos com pena de separá-las”, conta Rogério.
O pai orgulhoso do carinho do filho com os animais, revela que desde pequeno Enzo tem afinidade com os pets. “Chega da escola e vai direto até elas!”, revela. O pequeno é estudante do 2º ano da Emeb Izidoro Marin, no mesmo bairro onde mora. “Eu gosto de bicho, qualquer bicho. Aqui tem casinha pra elas. Tem comida. E os passarinhos vêm nos visitar”, conta animado.
Embora Rogério seja o responsável legal pela bicharada, faz questão de salientar que as adoções foram feitas pelo filho, justamente para aprender desde cedo o cuidado com os animais. A família não conhecia a estrutura da Cobea e ficou impressionada com a quantidade de abrigados no local. “Certo seria as pessoas terem mais responsabilidade e as punições para quem abandona ou maltrata serem mais efetivas”, conclui Rogério.
Cobea bate recorde de castrações, mas pede apoio da população
Nesta gestão, a Coordenadoria de Bem-estar Animal passou a ser um órgão com autonomia, em substituição ao antigo Centro de Controle de Zoonoses. Diversos foram os investimentos para a ampliação dos atendimentos. Como o reforço da equipe, com a contratação de médicos veterinários, auxiliar de serviços gerais para centro cirúrgico e agente administrativo para cadastros e agendamentos. Além da melhoria da estrutura, com a troca de equipamentos sucateados.
O número de castrações também deu um salto. Com a participação do castramóvel nas comunidades e demais procedimentos realizados. Passando de 1.781 em 2024, para 4.069 em 2025. E 2026 já inicia com recordes mensais: de 457 castrações em janeiro e 469 em fevereiro.
Para tentar conter a população de rua, a Cobea tem aplicado o protocolo CED para animais desabrigados: captura, esterilização e devolução no mesmo local após recuperação cirúrgica. E ainda o projeto “Educando nas Escolas - Série Anjo Amigo dos Animais” – tem contemplado estudantes do 1º ao 9º ano do Sistema Municipal de Educação, na esperança de conscientizar sobre os abandonos a partir da própria população.
Por outro lado, diversas famílias procuraram a Cobea para adotar. Em 2025 foram 183 adoções. E neste ano os números seguem animadores: 29 em janeiro e 30 em fevereiro. Embora surjam interessados diariamente, o número de animais acolhidos também é alto. Atualmente são 123, acima da capacidade máxima do local. “Ideal é que não tivéssemos que recolher nenhum animal machucado, doente, abandonado em condições precárias, ou vítima de maus-tratos. Tivemos mudanças importantes na Cobea, com olhar diferenciado da prefeita Carmen Zanotto para a causa, temos feito diversas campanhas durante o ano, mas para o sucesso destes projetos a longo prazo, a participação da população não é apenas necessária, ela é fundamental”, enfatiza a médica veterinária Geanice Iedo, coordenadora executiva de Bem-Estar Animal em Lages.
Texto: Priscila Dalagnol
Fotos: Fábio Pavan
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